As revistas especializadas antecipam uma revolução na novela das 8 da Globo, que está caindo pelas tabelas (principalmente, que é o que interessa aos homens da líder, no Ibope). A verdade é que a novela está tão fraca que já tem quem diz que o veneno não está suave, está mesmo é inócuo. Quando li estas informações sobre as mudanças que se anunciam lembrei da estréia de Janete Clair em novelas da TV. Ela foi chamada para salvar um dramalhão que estava no fundo do poço. Resolveu: inventou um terremoto, matou 90% do elenco e recomeçou. Foi um sucesso. Infelizmente, Janete, como Ivani Ribeiro, já morreu e a falta que elas fazem se percebe quando a gente liga a TV e assiste ao remake de ‘‘Pecado Capital’’ que foi, dizem, um dos melhores trabalhos da falecida esposa de Dias Gomes. Isto sem falar nas reapresentações de quase todas as novelas de dona Ivani.
Em relação ao ‘‘Inócuo Veneno’’, pelo que se indica, a revolução não vai ser tão imensa quanto a de Janete Clair. O que é uma pena porque a análise mais bondosa do trabalho até agora apresentado salva menos de 90% do elenco. Fora Diogo Vilela e seu ‘‘amigo’’, quase tudo o mais dá para rifar, até a querida Irene Ravache, que não deveria ser a ‘‘imperatriz do mármore’’ mas a ‘‘imperatriz DE mármore’’. E que dizer da ‘‘Nana’’, a Nivea Maria de tantos sucessos, que está fumando mais que eu? Nestes tempos em que se combate tanto o vício, parece politicamente incorreta esta personagem que fuma o tempo todo. Acredito que existe, por trás, uma idéia: é que a personagem é uma chata. Então talvez queiram passar a sugestão subliminar que quem fuma acaba ficando como ela.
Mas, dizem, a solução alvitrada é mais simples do que um terremoto. É que José ‘‘Waldomiro’’ Wilker vai ficar pobre. Vai perder tudo, fortuna, posição e até mulher, a tal Inez que será assassinada de mentirinha. Coitada da Glória Pires, primeiro amnésia fajuta, agora assassinato forjado. A atriz, de tantas glórias (sem trocadilho) merecia sorte melhor que a Inez. De qualquer modo, quando Waldomiro ficar pobre, entrará em cena o núcleo dos pobres. E, vocês sabem, novela da Globo tem que ter os dois núcleos, o dos ricos e o dos pobres, senão não funciona. A Globo pensa, acertadamente, que os pobres - a maioria - gostam de ver os ricos. Só que no ‘‘Inócuo Veneno’’ só tem rico (sem contar os caras do prédio onde parece que mora todo o segundo escalão, que não são pobres capazes de estimular a imaginação e fazer a gente pensar que pode até mudar de vida).
Assim, entram os pobres para salvar a novela, para dar molho ao veneno. O perigo é que daí acabem tornando-o letal. Para o público e para a rede. Enfim, se isto acontecer, a Globo tem uma solução: acaba logo com a novela e lança um remake qualquer da obra de Janete Clair ou de Ivani Ribeiro.

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