PONTO DE VISTA -Festival junta suingue brasileiro e ritmo ianque
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de abril de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''Everybody digs the blues sometimes!'' A frase do guitarrista Kenny Neal (traduzindo, ''Todo mundo curte o blues às vezes'') resume bem o que foi a edição de 2003 do Natu Nobilis Blues Festival, que teve seu show de encerramento em Curitiba no sábado. A presença maciça do público mostrou que o espaço para o blues vai muito além da admiração de poucos aficionados e estudantes de guitarra.
Na sua terceira edição, o Natu Nobilis Blues Festival trouxe a Curitiba e Porto Alegre um interessante mix de bandas nacionais e americanas, com a exibição de várias vertentes do ritmo que teve sua origem no sul dos Estados Unidos. Na capital paranaense, os shows aconteceram no Callas, casa de shows localizada no mesmo lugar que o Aeroanta - espaço que trouxe a maioria das bandas de blues de qualidade na década passada - o que agradou os fãs mais antigos do gênero.
Até mesmo o clima contribuiu na caracterização dos espetáculos. A frente fria que tomou de assalto o sul do País no final de semana deu chance aos amantes do blues para que tirassem do armário suas jaquetas de couro e utilizassem os broches com os nomes de grandes lendas do gênero.
A primeira noite do festival em Curitiba, na sexta-feira, foi um presente para os apreciadores da sonoridade da gaita. Robson Fernandes mostrou o talento que o levou a ser considerado um dos melhores músicos de gaita harmônica do país. Na segunda apresentação, Renato Borghetti mostrou aos curitibanos o som peculiar da gaita-ponto, um instrumento de sopro similar a um acordeão. Para fechar, o americano John Hammond, de 60 anos, fez um show completo, não esquecendo de mostrar seu fôlego com a harmônica e a experiência de quem vem se dedicando ao blues por décadas.
Na noite de encerramento, os ''trabalhos'' foram abertos por uma banda curitibana - ou quase. Criada pelo iugoslavo Kosta Matevski, que há oito anos mora na capital, a Jungle Jam misturou o blues tradicional com sonoridades mais próximas do rock'n'roll clássico, outra paixão de Kosta.
No segundo show da noite, a banda carioca Baseado em Blues mostrou que o suingue brasileiro tem muito a acrescentar ao ritmo ianque. Com versões bluesadas de clássicos de Raul Seixas e do funk de Tim Maia, os cariocas mostraram porque estão há 11 anos na estrada agitando o público.
A escolha da banda do americano Kenny Neal para fechar o festival foi acertada. Versátil, o guitarrista fez um verdadeiro passeio pelas vertentes do blues americano, passando dos acordes melancólicos até as versões mais embaladas do ritmo, à la B.B. King. Destaque também para o bateirista Kennard Johnson, que toca com a naturalidade de quem está cortando as unhas ou lendo um jornal, e faz uma base perfeita para a performance do carismático Neal.


