Você, Arrigo Barnabé, não sabe o tamanho da decepção que causou em muita gente que o esperava em Londrina no último sábado. Era aniversário da cidade. Data simbólica. E foi o dia escolhido para a reedição do show ''Na Boca do Bode'' que o lançou na década de 70, juntamente com o imenso e saudoso Itamar Assumpção , que foi antecedido por uma monte de atividade bacana. E você, nem tchuns! Não veio. Dizem que perdeu o vôo. Dois vôos, por sinal. E o povo lá, sob os arcos do Museu de Arte de Londrina um céu bonito, depois de alguns dias instáveis esperando inclusive você para se apresentar. E nada. Coisa feia, Arrigo... E olha que a organização lhe enviou duas passagens aéreas uma no período da manhã e outra para o final da tarde e você perdeu os vôos. Parece que enfrentou um engarrafamento, foi isso? Arrigo, cá pra nós: você que há anos e anos mora em São Paulo deveria saber que o trânsito daí é caótico. Ah, sei lá, deveria ter saído com bastante antecedência. Pegasse mototaxi para chegar a tempo no aeroporto e honrar o compromisso aqui, meu!
E o povo lá, sob os arcos do Museu. Daí, assim, como se fosse a coisa mais normal do mundo você manda um emissário, seu irmão Paulo, se não me engano, avisar os produtores e idealizadores que você não conseguiu pegar o avião a tempo. Logo você que escreveu: ''olha quanta luz no céu, olha um avião voando sozinho sobre o perobal''. Ora, Arrigo, é deselegante não dar uma satisfação aos produtores. Tá certo, seu trabalho é contemporâneo, importante para a música brasileira, mas convenções ainda mais aquelas que envolvem expectativa e grana precisam ser respeitadas. Poxa, Arrigo... Ligasse para a produção, pedisse desculpas e principalmente justificasse sua ausência ao público. E também aos companheiros de noitada musical! Que falta de consideração, cara! Amigos próximos disseram que muitas vezes você reclamou que Londrina não lhe dava o devido respeito e reconhecimento. E você, logo você, dá uma mancada dessas? Tem cabimento, pô?
E o povo lá, sob os arcos do Museu. O diz-que-diz comia em dó maior: ''ele vem? Ele não vem? O que aconteceu?''. Enquanto a dúvida pairava como nuvens vermelhas no céu mas o céu de sábado, como lhe disse, estava de se comer de tão bonito o espetáculo continuou. E foi muito bacana, você perdeu. Vou te contar. Sim porque alguém pode ter querido te contar e o seu celular, como no sábado, só caia na caixa-postal de voz. Tem uns aparelhos pré-pagos que pegam bem, viu? Vou te contar mesmo assim.
O evento denominado ''Na Boca do Bode'' começou na sexta-feira com debate, exposição e show. No sábado, as atividades foram intensificadas e muita gente boa que mora fora não perdeu hora, nem vôo, nem ônibus e participou de um debate, exibição de vídeos (incluindo aí, Arrigo, aquele ''Clara Crocodilo'' que o Rodrigo Grota fez no ano passado, lembra?). Teve o lançamento do livro ''Na Boca do Bode Entidades Musicais em Trânsito'', de Fábio Henriques Giorgio, mentor desse evento bacana. E teve o show, aquele a que você não deu as caras!
E o povo lá, sob os arcos do Museu. Põe reparo, Arrigo, em quem subiu ao palco: Valter Guimarães, Edwaldo Viecili, Samanah, a Neuzinha Pinheiro (ao violão, com Tonho Penhasco na guitarra), Denise Assumpção (ah, eu tenho que te contar o que ela fez, aguenta aí, Arrigo), o Paulo Barnabé, seu irmão que fez uma apresentação muito ''doida'' e legal pra ca... cê sabe o resto!) e, finalmente Robinson Borba. E você não veio. Arrigo!
E o povo lá, sob os arcos do Museu. E por falar em uns e outros a Denise Assumpção teve um piti, um troço, um treco, um chilique, ah dê o nome que quiser, só porque a confundiram com a filha do Itamar. Foi legal, bem legal mesmo a apresentação dela que cantou com o público, no chão. Agora, chamar jornalista de nome feio? Quem é ela pra chamar a gente disso ou daquilo? Só porque tem sobrenome famoso? Eu, hein!? Olorum Kolofè!!!
Quer saber de uma coisa, Arrigo? Você fez falta. Mas não diminiu o vigor do ''Na Boca do Bode''. Da próxima vez que você vier eu vou fazer força pra não pegar nenhum engarrafamento porque Londrina, cê sabe, deixou há muito de ser pequena. E ingênua. Entendeu, Arrigo?

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