Curitiba - Uma das qualidades de um diretor de teatro é saber o quanto o público pode suportar a duração de um espetáculo. Paulo de Moraes e Cibele Forjaz são excelentes diretores, daqueles que orquestram cada detalhe das suas montagens, mas nos trabalhos que apresentaram no 14º Festival de Teatro de Curitiba ''A Caminho de Casa'' e ''Arena Conta Danton'', respectivamente erraram ao calcular o tempo das peças e derraparam na escolha do momento certo para finalizá-las. ''A Caminho de Casa'', do grupo Armazém começa bem, com um telão que lembra os créditos de cinema apresentando os atores e uma surpreendente cena de engarrafamento que leva para o palco carros verdadeiros. Ao fundo, uma pintura que dá a ilusão da gigantesca fila de veículos parados por conta de um acidente.
Moraes abusa de elementos cinematográficos inclusive para retratar a explosão de um ônibus e confere um ritmo bastante ágil à primeira, das três histórias do espetáculo. Destaque para Patrícia Selonk, que como nos espetáculos anteriores consegue roubar a cena, como uma lutadora com um vocabulário repleto de palavrões. Integram o elenco ainda, os curitibanos Marcelo Guerra e Sérgio Medeiros. O primeiro como um taxista e o segundo como um homem que destila falsas moralidades e que mostra a sua mesquinhez quando o grupo precisa dividir os parcos suprimentos.
Até o final da primeira história, o elenco segura o ritmo, que vai decaindo gradativamente até o final da montagem. Na primeira apresentação do espetáculo no festival, no domingo, os dois últimos atos se arrastaram tanto a ponto de fazer ranger as cadeiras, fruto da impaciência dos espectadores que decidiram ficar até o final do espetáculo, prejudicar a compreeensão dos textos dos atores. O apelo visual também desaparece no final da montagem, tornando-o monocórdio.
Em ''Arena Conta Danton'', o início do espetáculo demonstrava que a montagem seria um ótimo destaque dentro da programação do FTC. O guia dos festival dizia que a peça tinha 70 minutos, tempo ideal para que os espectadores se acomodassem nas arquibancadas montadas no palco do Teatro Fernanda Montenegro sem chegar ao insuportável limite da dor das costas, já que o planque não oferece exatamente um assento confortável. A montagem, no entanto, se arrastou por mais de duas horas, oscilando entre momentos densos, engraçados e entediantes.
Mas o trabalho de Cibele merece atenção principalmente pelo mérito de conseguir, a partir da realidade buscada no imaginário da platéia, transformar os trágicos acontecimentos que envolveram a Revolução Francesa em um material senão compreensível, passível de provocar reflexão.

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