PONTO DE VISTA - Uma lona da cor da saudade
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de agosto de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Sempre haverá lugar na platéia para a saudade. Ainda que alguns espectadores sejam muito jovens para conhecer os antigos cirquinhos de pano de roda também chamados de tomara que não chova ou pinico sem tampa. De repente, o público - adulto ou criança - divide o riso ou espanto, a cada número, com o saudosismo.
''Tomara Que Não Chova'', espetáculo da companhia carioca Teatro do Anônimo reservou, na programação da quinta edição do Festival Unipar de Teatro, em Umuarama, um lugar para esse tipo de saudade nas quase 800 pessoas que lotaram o Teatro Neiva Pavan Machado Garcia.
São oito espetáculos no repertório. ''Tomara Que Não Chova'' transformou o teatro numa platéia saudosa de ver artistas, que somente estavam na imaginação.
Entre os espectadores, jovens da zona rural de Umuarama. As palmas foram insuficientes para retribuir à satisfação pelo que estavam tendo a oportunidade de assistir. Os risos também. Por isso, o grupo batia os pés no chão para matar a saudade do que nunca tinha visto na vida.
Uma encenação fechou a apresentação. ''A Noiva do Cadáver'', do repertório da Família Tangará, de Londrina, que também esteve representada no festival pelo espetáculo ''Tumba e Para'', acabou de despertar o restante de saudosismo que faltava de um circo, que tem picadeiro e lona na nossa imaginação.


