Curitiba - O Teatro Guaíra, o maior teatro do Estado, estava lotado como há muito não se via em Curitiba. A responsável pela façanha era Maria Rita, a filha de Elis Regina. Em única apresentação na cidade, na última sexta-feira, a cantora reuniu um público de cerca de 2 mil pessoas, ávidas por conferir o que a indústria musical vem chamando de fenômeno. Filha de uma das maiores cantoras que o Brasil já viu e do músico Cesar Camargo Mariano, Maria Rita decidiu só há muito pouco tempo seguir a carreira de cantora. A decisão, no entanto, encontrou terreno fértil. Por onde passa, a moça chama a atenção. Mas talvez seja melhor ouvi-la em CD e ficar, saudoso, imaginando Elis Regina (pois é o que inevitavelmente acontece) a vê-la ao vivo e encerrar ali a comparação, sem esperar mais da nova aparição.
Maria Rita tem uma voz louvável, mas uma presença de palco inversa ao seu talento. No show, vestindo blusa e saia pretas (esta com forro discretamente colorido) e descalça, Rita cantou as músicas do disco de estréia, que leva o seu nome. No palco, apenas ela e os três músicos que habitualmente a acompanham no piano, bateria e percussão. No cenário feito de luz e sombra, apenas um quadrado de luz no centro do palco iluminava a cantora. Com toda essa simplicidade, cabia a ela emocionar a platéia. Função, talvez, pesada demais.
O público acompanhava o show em respeitoso silêncio. A medida que Rita ia cumprindo o cronograma da burocrática apresentação, as palmas no meio das canções iam reduzindo, assim como efeito surpresa ia se dissipando. Presa no quadrado de luz que a iluminava (exceto em raras exceções que caminhava de um lado para o outro do palco), a cantora não apresentou muitas variações durante o repertório. Exceto, quando evocava o pai ou a mãe em algum história curiosa. Contou, por exemplo, que quando era pequena, Elis Regina disse em uma entrevista que queria que a filha fosse leve e ''não ficasse pesada nunca''.
Maria Rita parece ter seguido o conselho, é tão leve no palco que nem mesmo sua bela voz surpreende. Escutar o disco, nesse caso, é tarefa menos árdua e (até) mais agradável do que ir ao show.

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