PONTO DE VISTA - Um show de nonsense
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de maio de 2003
Célia Musilli<BR>Reportagem Local 
Liguem as antenas para assistir www.sandman.nl, que tem sua última apresentação hoje no Filo. Três personagens mostram uma controvertida porção humana ao cuidarem de uma base que pode estar na Terra ou em que qualquer ponto do universo onde caiba uma boa dose de nonsense. A estréia do grupo holandês Lunatics levou anteontem cerca de 2 mil pessoas ao aterro do Lago Igapó 2, onde não falta areia no cenário que transmite a aridez de um espaço que pode estar situado num futuro muito, muito próximo. Neste mundo, a necessidade de comunicação é imperativa e difícil apesar das antenas parabólicas, dos sons e imagens transmitidos por satélites, da internet conectando a solidão do planeta.
Transitando entre a humanidade e a porção bicho de uma civilização que luta contra a extinção, os homens estão atentos a todos os perigos, cuidando da base onde a areia é combustível e alimento para a conservação de uma estranha forma de vida.
Os efeitos sonoros pontuam aspectos como o choro dos bebês ou vozes em uníssono estabelecendo uma ligação dos personagens com o resto da humanidade, ao mesmo tempo em que eles estão inseridos num frio contexto tecnológico que denota a dependência do homem pela máquina. Nem tudo dá certo nesta relação como mostram cenas hilárias, absurdas e poéticas. Mas a visão daqueles homens de areia precisando de equipamentos como antenas e sondas leva o público aos limites de uma ficção que não foi mesmo feita para ser levada a sério.
Entre altos e baixos, o espetáculo às vezes se arrasta, inquietando principalmente as crianças que não conseguem enxergar nas figuras em cena algo além de uma família de teletubbies. Inspirada na lenda de um ser que joga areia nos olhos das pessoas para que elas caiam em sono profundo, a performance do Lunatics pode às vezes levar a bocejos. O final com pirotecnia, água e um pouco de rock liga de novo a platéia sem a necessidade de parabólicas. Mas, é bom que se diga, o show vale pela presença de atores carismáticos que transformam o absurdo em espetáculo.
Luciene Ohara, estudante de Desenho Industrial
Dou nota 8. É um espetáculo interessante. Tem sincronia artística boa (música, dança, efeitos especiais), mas é complicado explicar a história.
Sei que é baseada num conto europeu. A gente interpreta muitas coisas assistindo ao espetáculo
Paulo Lima, sindicalista
A nota é 8. Houve uma dificuldade do entendimento geral do que acontece. Mas visualmente é espetacular, com as antenas parabólicas e as vozes das crianças de várias partes do mundo. É uma coisa meio Os Três Patetas, que remete à infância
Talita Franzon, estudante
Dou nota 9. Achei bem legal quando a tocha pegou fogo. Para mim eles são alienígenas... São bastante engraçados porque vivem no mundo da lua onde brincam e também se atrapalham. Eu vim assistir porque minha mãe queria ver e achei legal.


