Curitiba - A América Latina viu antes. Geralmente preteridas nas agendas das grandes bandas internacionais, platéias do México, da Guatemala, da Colômbia, da Argentina e do Brasil, entre outros países, foram as primeiras a assistir aos shows de divulgação do quinto álbum dos White Stripes, ''Get Behind Me Satan'', que chegou esta semana às lojas. O giro de Jack (voz, guitarra e piano) e Meg White (bateria) pelas Américas Central e do Sul chegou ao fim no último sábado, com uma apresentação no Credicard Hall, em São Paulo.
Mas, se vão ver só depois, europeus e norte-americanos talvez assistam a shows melhores: na capital paulista, a dupla de Detroit, Estados Unidos, causou comoção mais pela expectativa quase doentia dos fãs, que pareciam dispostos a aplaudir qualquer coisa, do que pela apresentação em si. Jack White fez piadinhas entre as músicas, convidou a platéia para cantar junto e tentou parecer simpático, mas chegou a irritar com suas (inúteis) tentativas de melhorar a qualidade técnica do som - a certa altura, ele interrompeu uma canção no meio, tirou a guitarra, bateu furiosamente nas teclas do piano e saiu do palco (mas retornou, pouco depois).
Outro problema foi a sequência de músicas escolhida pela banda. O início do show anunciava uma apresentação memorável, com interpretações incendiárias de ''Dead Leaves And The Dirty Ground'', ''Black Math'' e da nova ''Blue Orchid''. Dali em diante, entretanto, os White não acertaram na alternância de canções mais agitadas e baladas. Quando sacavam um hit, como ''Hotel Yorba'', impediam o prolongamento do entusiasmo com andamentos arrastados, variações na estrutura de músicas conhecidas (como em ''The Union Forever''), interrupções bruscas e muitos, muitos improvisos: em ''Ball And Biscuit'' e ''Screwdriver'', foram tantos que parte do público que estava na parte superior do Credicard Hall preferiu se sentar.
O show só não foi um fiasco porque em alguns momentos os Stripes confirmaram sua fama de bons de palco: em ''Death Letter'', White empolgou com a enormidade de barulho que arrancou da guitarra; as versões de ''Jolene'' (de Dolly Parton) e de ''I Just Don't Know What To Do With Myself'' (de Burt Bacharach) demonstraram bem as duas facetas básicas do som da dupla - delicadeza e ruído - e ''Seven Nation Army'', compreensivelmente, despertou coros apaixonados do público. Se a banda tivesse esbanjado a mesma competência ao longo de toda a apresentação, a noite de 4 de junho teria sido histórica. Mas foi bola na trave.

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