A mente humana pode ser comparada a um labirinto. Quando ela comete um erro, mesmo evitando qualquer tipo de condenação, no fundo deseja ser julgada. Avaliada através dos corredores mais sombreados.
A condenação passa a ser encarada como uma espécie de alívio. Cumprir uma pena, das mais variadas maneiras possíveis, torna-se uma revelação, um destino que confere sentido à vida.
Um tema bem complexo que por sua natureza é consequência, e ao mesmo tempo origem, de dezenas de ramificações. Trata-se de um dos assuntos expostos pelo espetáculo ''Dança Lenta no Local do Crime'' aprsentado no Filo 2005.
Montagem da companhia paulista Núcleo de Investigação Teatral (N.I.T.) com direção de Luiz Valcazaras, apresenta-se como um dos mais instigantes textos (ao lado de ''A Poltrona Escura'' de Luigi Pirandello) apresentados no festival até agora.
Escrito pelo norte-americano William Hanley na década de 60, o espetáculo possui uma estrutura recorrente no universo da dramaturgia: três personagens, estranhos entre si e com características distintas, que se encontram por obra do acaso, num mesmo local durante um tempo determinado.
Mas Hanley vai além. Coloca no interior de cada personagem um segredo que pode ser revelado apenas a estranhos. Esse segredo é um justamente um crime, ou uma idéia de crime. Um erro, ou uma idéia de erro. E ele aparece acompanhado por dois sentidos, de um lado a culpa, de outro a liberdade.
''Dança Lenta no Local do Crime'', está centrado nos dois principais pilares da arte teatral: texto e trabalho de ator. Trabalha com elementos da estética naturalista, algo não usual nos espetáculos realizados anteriormente pelo diretor.
Trata-se de uma história narrada de maneira ascendente. Revela que não existe lei moral, ou jurídica, capaz de eliminar o poder de escolha do ser humano. Escolhas são feitas independentes de leis, são regidas por princípios labirínticos da própria mente humana. Uma labirinto sem fim.

mockup