Quarenta anos de exposição constante na televisão, em shows e na mídia em geral, me autorizam a afirmar: ninguém, por mais estrela que seja, é tão conhecido no Brasil quanto imagina. Perdi a conta de quantas vezes fui chamado de Raul Gil, Silvio Santos e até, pasmem, Jair Rodrigues. As pessoas se confundem na hora de pronunciar o nome de um figurão. Querem ver? Uma senhora me reconhece na feira. Pergunta com ar de detetive vitorioso: ''Você é o Moacyr Franco, não é?''. E eu: ''Sim''. A senhora, toda orgulhosa: ''Te conheci pela cara''.
No aniversário do meu filho caçula, de brincadeira, apresentei, para umas vinte crianças convidadas, um careca amigo meu como Michael Jackson. As crianças ficaram confusas, mas, pelo sim pelo não, pegaram dezenas de autógrafos do Paulo Brol. Claro que o Michael Jackson mexe muito na cara, mas não tem uma cintura de 1,20 m.
Há artistas que sofrem muito com o assédio dos fãs e precisam realmente de cuidados especiais, mas alguns exageram. Nelson Ned é o maior sucesso brasileiro na América do Norte. Perguntei a ele: ''Onde você é mais assediado: no Brasil ou nos Estados Unidos?''. E ele, com banca: ''Na América. Lá em Miami, eu só ando de óculos escuros. Se não, não me dão sossego''. Na década de 60, eu tinha um clone em Belo Horizonte. Volta e meia, alguém me alisava a bunda e piscava o olho sugestivamente: o clone era gay.
Imaginem esta cena: a Xuxa está descendo no aeroporto de Congonhas, quando uma velha gorda de bochechas rosadas vence a segurança e se agarra à ''deusa da criançada''. Xuxa, simpática: ''Obrigada. Como vai a senhora?''. A gorda, sem ouvir o que a Xuxa dizia: ''Eu adoro você, Angélica! Que pena, meu Deus, que eu não estou com o disco no táxi para você autografar. Eu te amo, Angélica. Te amo, Te amo!!!''. Xuxa finge que não escuta e os seguranças afastam delicadamente a gorda senhora que olha apaixonada para Xuxa. Agora, já com lágrimas nos olhos. Xuxa vai se afastando e a velha grita: ''Dá um beijo na Sasha'', deixando Xuxa sem entender nada.
Fui fazer um show com outros artistas na periferia de São Paulo. Entre eles, estava o queridíssimo Padre Marcelo Rossi. Eu tomava um café no copinho de papel quando uma senhora desesperada, passando entre pagodeiros e sertanejos, veio direto a mim. Ela se agarra ao meu braço, o café queima a minha mão, desliza pela minha calça e penetra no meu sapato. Enquanto me limpo, Dona Antônia era esse o nome dela se ajoelha e me implora: ''Graças a Deus que eu encontrei o senhor! Vem comigo, o meu filho não pode morrer sem conhecê-lo''. Aturdido e emocionado, sigo arrastado pela mão vigorosa de Dona Antônia ao longo da avenida e mergulho numa favela. Foi a última vez que fiz uma extrema-unção.
Realmente, ninguém conhece ninguém.

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