PONTO DE VISTA - Nanini: além de tudo, um bom cantor
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domingo, 21 de dezembro de 2003
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Se o filme tem altos e baixos, a trilha sonora de ''Apolônio Brasil - Campeão da Alegria'' é irretocável. As músicas pinçadas para o longa-metragem podem ser apreciadas através do lançamento da Biscoito Fino o que, de antemão, já é sinônimo de qualidade. E a grande estrela do álbum, produzido e dirigido pelo competente maestro David Tygel, é Marco Nanini que interpreta a maioria das 16 faixas entre clássicos da MPB e temas inéditos. As orquestrações e regências são revezadas entre Leandro Braga (que é quem toca, de fato, piano no filme), Maurício Maestro. Flávia Ventura e o prório Tygel (autor da bela e instrumental ''Valsa de Dona Neném'').
Mesmo técnico, Marcos Nanini mostra bom desempenho como cantor. Com toda categoria e voz levemente anasalada, abre o disco com a inédita ''Outra Vez, Nunca Mais'', feita por Sueli Costa e Abel Silva especialmente para o filme de Hugo Carvana. Seguro, Nanini canta versos saudosistas (''Quem levou/Seu Perfume na brisa do mar/Seu sorriso acendendo o versão/ Quando tudo acabou?) revestidos parcimoniosamente com cordas. Outra faixa marcante é ''Nossos Momentos'' (Luis Reis e Haroldo Barbosa).
A concepção sonora de ''Apolônio Brasil...'', o disco, inclina-se ao clima intimista da década de 50, aos chamados anos dourados. É nítida e audível inspiração nas grandes e extintas orquestras de baile, como em ''Vestígios'', que evoca lugares-comuns apregoados em boleros (''recurdo de un amor'', ''Soy contigo un aprendiz'', ''mis sueÀos de pasión'', e por aí vai), e que aparece em duas versões: voz e piano e instrumental.
Uma curiosidade bacana: a inclusão de ''El Dia em que me Quieras'' (Carlos Gardel - Le Pera) com o trio Los Pregoneros, em que foram acrescentadas cordas ao fonograma original. A nostalgia vez ou outra é entrecortada com humor. E dá-lhe pérolas como ''Minha Viola'' (Noel Rosa), ''Oh! As Mulheres'' (Lamartine Babo) e ''Neurastênico'' (Betinho/Nazareno de Brito) e também na hilária e inédita ''Viva o Uísque'' (David Tigel- Joaquim Assis).
Justiça seja feita: a performance vocal da atriz e cantora gaúcha Alessandra Verney em ''Canção de Amor'' (Chocolate-Elano de Paula) é fabulosa. Brilhante mesmo! Quando não Nanini, as canções são apresentadas por coros (os ilustres integrantes, Louise Cardoso, Ruy Faria e Chico Adnet, entre outros). Os Cariocas fazem participação especial no disco em ''Valsa de uma Cidade'' (Ismael Neto- Antonio Maria). Destaque também para o projeto gráfico assinado por Luiz Stein.
Mas quem brilha mesmo é Marco Nanini. Excelente ator, bom cantor ele segura a onda até mesmo na saturada ''Coração Vagabundo'' (Caetano Veloso). Em outras palavras, Nanini se garante onde quer que esteja.


