PONTO DE VISTA - Memorável é pouco
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segunda-feira, 10 de maio de 2004
Claudio Yuge e Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Memorável, nostálgico, emocionante. Esses são apenas alguns dos adjetivos que poderiam definir o Curitiba Pop Festival 2 na Pedreira Paulo Leminski, que levou mais de 8 mil pessoas por dia na sexta e no sábado passado. Os grandes momentos do festival foram, como não poderia deixar de ser, mais um dos shows que marcam o retorno do Pixies e a também bastante aguardada apresentação dos escoceses do Teenage Fanclub.
Na sexta-feira, ainda com o chamado espaço VIP destinado às 3 mil pessoas que compraram o ingresso na primeira carga de vendas , o público aproveitou para amenizar um pouco a ansiedade para ver o Pixies e descontraiu ao som do ska da local Kingstone e do experimentalismo dos alagoanos da Sonic Jr.
Ainda de maneira tímida, os fãs acabaram surpreendidos pelos suecos do Hell On Wheels, ainda desconhecidos por aqui. Assim como aconteceu no festival do ano passado, quando os franceses do Rubin Steiner ''ganharam'' o público com um show contagiante, o Hell on Wheels surpreendeu os fãs que acompanharam o show. ''O lugar é lindo e a banda estava inspirada. Deu tudo certo'', comemorou o baterista Johan Risberg após o show.
Quando o Teenage Fanclub entrou no palco, a área VIP passou a ser mais democrática, já que uma pequena invasão do grupo de trás não chegou a incomodar diante de tanto talento mostrado por Norman Blake, Raymond McGinley e Gerard Love. Como toda banda gringa que se presta, entraram no palco com um ''boa noite'' em português e destilaram anos de bom serviço ao power pop com canções consagradas, como ''About You'', ''Ain't That Enought'', Spark's Dream'' e ''What You Do To Me''. Tecnicamente perfeito, o trio tocou com empatia total dos fãs e ganhou o coração de muitos que estavam lá só porque compraram os ingressos para os dois dias do festival.
No dia seguinte, mais bandas e melhor. A grande massa chegou mesmo quando caiu a noite, mas quem foi antes ainda pôde conferir o empolgante show dos londrinenses do Grenade e da local Excelsior, que esquentou um pouco o ar gelado da Pedreira. Mas a agitação começou mesmo com a entrada do Autoramas e seguiu com o pessoal do Pelebrói Não Sei, com muita diversão ao som do punk rock assumidamente ramônico. Ainda ansiosos pela entrada do Pixies, o público que agora definitivamente tinha invadido, com razão, a área VIP pôde acompanhar uma inspirada apresentação do Relespública.
A apresentação dos pernambucanos do Mombojó já foi marcada pelo público se aglomerando à frente do palco, buscando um melhor lugar para ver o primeiro show dos Pixies na América Latina. Com um som marcado pela influência de ritmos nordestinos, o Mombojó ficou meio deslocado em um show marcado pelo rock, mas os pernambucanos conseguiram passar o seu recado. Já o trio Flu, Frank Jorge e Wander Wildner agradou a todos, tocando sucessos das bandas gaúchas dos anos 80 Replicantes, Graforréia Xilarmônica e De Falla.
Enfim, depois de horas de espera no frio da Pedreira finalmente o público pode acompanhar o retorno do Pixies após mais de uma década de inatividade. A tensão tomou conta dos fãs enquanto o palco era preparado para o show. O público só liberou a energia reprimida quando o vocalista Frank Black, sem dizer nem ao menos um ''hello'' ou ''good night'' tocou os primeiros acordes de ''Bone Machine''.
A partir daí, a banda mostrou porque é considerada a mais influente dos anos 90. Sem dar tempo para o público respirar, o quarteto enfiou uma sequência de 28 músicas em uma hora e meia, contemplando todos os discos da banda. A reação dos fãs variava: enquanto alguns pulavam ensandecidos, outros pareciam paralisados pela performance da banda. Por toda a Pedreira podia se ver pessoas chorando ao som de ''Hey'' e ''Where's my mind''.
Quando a banda parou de tocar, os comentários podiam ser ouvidos por toda a pedreira. ''Você ouviu aquela?'', ''Qual você mais gostou?'', ''Você chorou também?'' E talvez, a pergunta mais pertinente: ''Quem será que vai tocar no Curitiba Pop Festival no ano que vem?''


