23h43. Com uma hora e tarará de atraso, Luiz Melodia subiu ao palco do Cabaré, anteontem, para ser ovacionado por uma platéia antecipadamente rendida aos seus pés. E ele não decepcionou. De cara, atacou de ''Fadas'' para em seguida evocar ''Maura'', de seu pai Oswaldo (''O meu prazer é viver embriagado/ Só assim esse coitado/ Não recorda o que passou''). E Melodia cantou bonito. Canto viril. Fez caras e bocas, performances exatas. Bonito ver aquela multidão cantando quase em uníssono ''Estácio, Holly Estácio'' ou ''Magrelinha''. Melodia era só sorrisos. A platéia, entrega total. O som até que funcionou bem. Negro gato, negro gato... Lindo de se ver em qualquer ângulo. Volta logo, viu?
Foi Luiz Melodia, aliás, o apaziguador de ânimos do público que compareceu ao Cabaré, cuja inauguração foi marcada pela desorganização. A começar pela quilométrica fila para se comprar fichas para se beber ou comer algo. Teve quem ficou 50 minutos naquela tortura, com direito a bate-boca e furadores de fila. Um desrespeito que em nada lembrou as felizes edições anteriores.
O local escolhido é amplo. Acontece que a ambientação bacaninha até ficou um tanto quanto claustrofóbica porque esqueceram um ''pequeno detalhe'': as pessoas precisam respirar bem. O problema de ventilação necessita urgentemente ser revisto, mesmo que sejam utilizadas soluções simples como escancarar janelas e portas do barracão onde o Cabaré fincou bandeira neste ano. Ok, tudo bem, problemas ocorrem. Mas com tanto know-how, a organização do Cabaré bem que podia prever coisas que fatalmente podem acontecer, como queda no sistema de informatização no bar aquelas fichinhas de quermesse, por mais kitsch que sejam, funcionam que é uma maravilha. Gente menos vagarosa no comando das máquinas também contribui para o bom andamento da fila.
Diante das reclamações, a organização do Filo certamente vai se virar e solucionar tais problemas. Há gente competente para isso. E de mais a mais, se a ''coisa'' continuar emperrada vai ser um caos assistir ao show de Adriana Calcanhotto, amanhã.
Ah, sim! Qual a finalidade ou função estética daquela ''fumacinha'' provocada pelo gelo seco? Não seria mais apropriada para a hora do show?
Negócio é o seguinte: não fosse São Luiz Melodia a noite ia ser um inferno de Dante...

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