Como leitor, diante de um novo autor que me conquista - e, no caso, considero novo qualquer autor cuja obra jamais tenha lido - comporto-me quase como um mineiro ao encontrar um novo veio na mina: vou explorá-lo até o fim. Quero saber dos outros livros que escreveu, da sua vida e seus projetos, enfim quero explorá-lo ao máximo.
Foi assim quando li ‘‘Perversão na Cidade do Jazz’’, livro de James Lee Burke, lançado no Brasil pela Editora Record na sua ‘‘Coleção Negra’’ que oferece livros policiais daquela chamada categoria ‘‘noir’’ e que inclue autores como James Ellroy (Los Angeles - Cidade Proibida) e Elmore Leonard (Bandidos). Não conhecia Lee Burke mas passei a admirá-lo antes mesmo de chegar à quarta parte do seu livro.
Burke faz parte da nova geração de autores de livros policiais. Seu personagem, o detetive David Robicheaux, não é igual a muitos outros da categoria, não parece com Hercule Poirot ou os mais modernos como Shell Scott ou Chester Drum. É um policial diferente, que apenas enfrenta as dificuldades colocadas pelo crime com uma disposição incrível. E tem uma coisa diferente: ao invés dos outros famosos detetives da ficção, que vivem bebendo, Robicheaux é um ‘‘alcoólatra em recuperação’’ que frequenta o AA (Alcoólatras Anônimos) e que se preocupa mais com a vida familiar, sem colecionar mulheres ao longo da aventura.
‘‘Perversão na Cidade do Jazz’’ é um policial um pouco diferente, que envolve aspectos do crime e do passado, até porque envolve a busca de um submarino nazista afundado no Golfo do México, durante a II Guerra Mundial, mostrando a ação dos neo-nazistas envolvidos em crime e mistério. O livro é ambientado em Nova Orleans, a misteriosa cidade do Mississipi, e o autor consegue mostrá-la com carinho e emoção, fazendo o leitor mergulhar nela, em seus mistérios e em sua vida. Dá para sentir o amor de Burke pela cidade, dando até vontade de conhecê-la.
Como dá vontade também de conhecer Robicheaux, seus amigos, sua esposa, sua filha adotiva (é um detetive bem diferente, já foi explicado aqui). Tudo isso é o que pretendo fazer, procurando outro livro dele da mesma coleção: ‘‘Negro e Amargo Blues’’ ao mesmo tempo em que espero novos lançamentos para explorá-lo e reencontrar a aventura que tive neste primeiro encontro.

mockup