PONTO DE VISTA - Estranhamente bom
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de dezembro de 2003
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Os telões projetavam a cara amarrada, com direito a testa franzida. Mesmo um pouco acuados, os convidados do show que a cantora e compositora mostrou sábado, dentro do projeto Royal in Concert, da empreendora Teixeira & Holzmann, bateram palmas a cada fim de número. E ela cantou uma, duas, três e lá pelas tantas Marina Lima desfez a má impressão e se soltou e por extensão, o público também. No entanto, perguntas ficaram no ar: seria o som, a luz, o vaivém de pessoas frente ao palco, o quê? E quem era um certo ''Alberto'' a quem ela se referia, meio que bronqueada, pelo microfone?
Tentou fazer gracinhas com a platéia (vocês moram bem, hein?!), ao dono da empreendora (''prestei muita atenção ao que o cara disse'') e show pirotécnico antes do espetáculo (''pensei: será que estão caçando gansos?''). Risadinhas amarelas. A verdade é que as mais de duas mil pessoas que comparecem ao Royal Park queriam mesmo era ouvir Marina cantar e, se possível, cantar com ela.
Eis que uma canção-chave quebrou o gelo: ''Me Chama''. Pronto, o show era só alegria. Com um time competente com destaque especial a Christian Oyens (violão e voz), co-parceiro Zélia Duncan em várias canções , Marina Lima seguiu basicamente o repertório do disco ''Acústico'' e a releitura bacana de ''Everybody Loves Hollywood'', de Madonna, que em partes cantadas em português faz referência a Salvador. Muito legal mesmo.
Vieram os grandes sucessos, o público se rendeu e Marina Lima era só alegria chegou até sentar na beira do palco, mandou beijos. Ganhou a ''galera'', chique, perfumada, inclusive mulheres que não se importaram em fincar o salto alto no gramado. Ah, sim, o show foi ao ar livre. Bom som!
Era impossível não perceber: a voz de Marina. Ela evitou agudos e ficou nos tons médios e, principalmente baixo. A voz quente e encorpada, mesmo com pequenas derrapadas, ainda está envolvente. É fato que o principal instrumento de trabalho da cantora está precisando de ajustes, mas para quem ficou uns bons anos sem subir num palco, está de bom tamanho. Agora, que pegou mal a feição sisuda do início do espetáculo, ah isso pegou! Ainda bem que o show decolou e acabou em alegria contagiante da cantora, que abriu um precedente e deu um bis e foi acompanhada por um grande coro. No camarim, ela era só simpatia e satisfação.O grande responsável pelo fim do possível mau humor foi, sem dúvida nenhum, o público.
Hoje, excepcionamente, deixamos de publicar a coluna Aqui TV de Estélio Feldman.


