PONTO DE VISTA - Entre grandiosidade e simplicidade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de março de 2006
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba A grande atração do final de semana no 15 FTC foi o espetáculo ''Hércules'', resultado da parceria entre as companhias paulistas Pia Fraus e Parlapatões, Patifes e Paspalhões. E não foi o texto ou a atuação dos atores que mais impressionou. Foi o que os diretores Beto Andretta (Pia Fraus) e Hugo Possolo (Parlapatões) já tinham avisado que levaria o público ao delírio: a grandiosidade do espetáculo.
Montado na Pedreira Paulo Leminski, o cenário é cercado por dois imensos andaimes, um de cada lado de uma carreta de mais de 10 metros de altura. No decorrer da montagem, o público é surpreendido com efeitos fantásticos, como uma chuva de ouro, fogos de artifício, bonecos gigantes, barris pegando fogo e até uma ambulância que entra em cena.
Os 26 atores, escolhidos durante oficinas ministradas pelas companhias em São Paulo, ajudam a formar um espetáculo visual dos mais incríveis. Mas isso não significa que a montagem seja um primor. Uma dramaturgia confusa, microfonia exagerada, atrizes-cantoras desafinadas são alguns dos problemas do espetáculo que, apesar disso, já é cotado como um dos grandes favoritos do festival este Outras montagens do final de semana, surpreenderam pela simplicidade e delicadeza. Como o Grupo Galpão, que trouxe para o FTC o espetáculo ''Um homem é um homem'', mais um belíssimo e provocativo texto de Bertold Brecht. Utilizando recursos cênicos como pernas de pau e música ao vivo, a companhia mineira conseguiu transformar a história de um homem que é levado pelas circunstâncias num convite para reflexão. Apesar de panfletário, ''Bakulo e os Bem Lembrados'', da Companhia dos Comuns, do Rio de Janeiro, também agradou nas apresentações do final de semana levando para o palco, com competência, o tema da exclusão social, também utilizando a música ao vivo como recurso.


