PONTO DE VISTA - Entre caras, bocas e risos
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terça-feira, 15 de novembro de 2016
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

O humor politicamente incorreto dos atores do espetáculo Terça Insana conseguiu arrancar boas gargalhadas do público que assistiu a apresentação que aconteceu no Teatro Marista, na noite do último domingo. Por meio de quadros, personagens e piadas debochadas, os integrantes da trupe paulista teceram ácidas críticas a diversos temas atuais como a corrupção na política, economia, falta de tolerância, consumismo desenfreado, saúde pública e desigualdades sociais. Entre as "celebridades" citadas, o hipster da Polícia Federal, Donald Trump e Claudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados.
Embora já tenha uma carreira estável alcançada por comédias teatrais com grande êxito de público, a atriz Grace Gianoukas viu sua popularidade aumentar vertiginosamente após o sucesso da personagem Teodora Abdala na novela "Haja Coração" recém-exibida pela Rede Globo. Idealizadora do projeto Terça Insana, criado há 15 anos, Grace é responsável pela acolhida do público nesta edição do espetáculo que simula um talk show que aconteceu dentro um avião que aguarda autorização de decolagem. Apesar de ter se tornado um hit nas redes sociais, a fama da engraçadíssima atriz não foi suficiente para lotar o Teatro Marista, que teve apenas metade de suas poltronas ocupadas.
Mas quem estava lá se divertiu. O espetáculo empolgou a plateia. Além de Grace, que vive cenas hilárias como a médium Xícara da Silva Xavier e a apresentadora do talk show GG Recebe, também se destacaram no palco outros talentosos humoristas. Na lista de convidados estão a simpática assistente de palco Sheila (interpretada por Darwin Demarch) e o quadro "infantil" da Lili (Eraldo Fontiny), um dos mais aplaudidos da noite, que traz uma personagem nonsense, apimentada e de forte apelo popular com picardias pra lá de adultas.
Entre números impagáveis e momentos dispensáveis, o espetáculo comprova que, além de aliviar o clima sisudo que se abateu sobre o planeta, o humor também pode servir como movimento reflexivo do quão ridículo se tornaram alguns comportamentos tidos como "padrão" na sociedade contemporânea. E que de tão trágicos acabam se tornando cômicos.


