O Viva tem sido muito bem sucedido ao resgatar programas antigos da Globo. Nas reprises das novelas ou em releituras como A Escolinha do Professor Raimundo, o canal a cabo reaviva a memória com uma mistura do passado com o presente. Com o TV Mulher não é diferente. Sucesso na década de 1980 apresentado por Marília Gabriela, a revista eletrônica voltada para a agenda feminina voltou sob a tutela da própria apresentadora. Passados 36 anos da estreia do programa, a jornalista volta à tevê para dez episódios que debatem o feminismo e todas as outras atuais questões do universo das mulheres. No programa de abertura, Gabi fez uma homenagem ao primeiro programa de anos atrás. Com uma carta para Elis Regina, a convidada no "debut" do TV Mulher dos anos 1980, ela contou as conquistas das mulheres dos últimos anos, os retrocessos políticos, as lutas do feminismo e recebeu Maria Rita, filha da cantora.
Muito mexida de voltar ao programa e às pautas ligadas ao universo feminino, Gabi se emocionou muito na estreia do TV Mulher. Talvez por isso tenha se alongado tanto no discurso de abertura, que levou quase oito minutos. O resto da produção transcorreu muito bem. Com quadros e convidados, Gabi se movimentou pelo cenário do programa – "clean" e bem acabado, o espaço tem telões, sofás e bancadas –, que tem temas específicos para cada semana. Theodoro Cochcrane, filho da apresentadora, e figuras como Fernanda Young, Gabriela Manssur, Regina Navarro Lins, Ronaldo Fraga e Ivan Martins também têm um espaço na produção, como repórteres ou debatendo com Gabi.
Além da apresentação e da convidada de estreia, outros elementos fazem uma homenagem ao TV Mulher exibido pela Globo. Cor de Rosa Choque, composta por Rita Lee e Roberto de Carvalho, que embalou a abertura do programa nos anos 1980, volta com uma releitura cantada por Tulipa Ruiz e Arnaldo Antunes.
Recriado para tratar assuntos atuais, como o emponderamento feminino e as questões ligadas ao abuso físico ou psicológico sofrido por tantas mulheres, a produção acabou sofrendo um revés. Todo gravado antes da estreia, no dia 31 de maio, o TV Mulher acabou deixando de abordar temas "quentes" ligados à agenda do programa – como, por exemplo, o estupro de uma jovem no Rio de Janeiro. Por isso, a violência contra a mulher acabou sendo tratada de forma extemporânea. Para consertar a falha e trazer um tom cada vez mais atual, a produção será parcialmente regravada. Os, por enquanto, únicos dez episódios ganharão outras cenas e entrevistas que vão ao encontro dos últimos acontecimentos. Mais um ponto para o Viva.

Serviço: TV Mulher – terças, às 22h30m, no Viva.

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