''Besouro Cordão-de-Ouro'', montagem carioca presente no FILO 2008, reúne dois grandes criadores da cultura brasileira, o compositor Paulo César Pinheiro e o diretor teatral João das Neves. Uma reunião que gerou um espetáculo musical personalizado, uma autêntica celebração da cultura afro-brasileira.
Fazendo uso de um espaço cênico não convencional, o espetáculo recebe os espectadores em pleno velório de Besouro Cordão-de-Ouro (também conhecido como Besouro Mangangá), lendário capoeirista baiano morto pelas mãos do ciúme e da traição. Doses de cachaça são servidas em homenagem ao falecido e sua história, tema central da montagem.
A platéia é conduzida a outro espaço que representa o pátio de um mercado municipal criado na configuração de uma arena. A sensação de um lugar aberto, público, confere uma proximidade ímpar à história do capoeirista marrada. De certa forma, a montagem possui um caráter didático, a intenção de colocar aos olhos e ouvidos brasileiros uma parte importante da história cultural do País geralmente pouco revelada.
Tudo é apresentado através de músicas, canções e literatura de cordel. Toda a narrativa é construída por múltiplas vozes, acompanhando o fato de que a grande maioria dos relatos sobre Besouro possui uma aura folclórica. Uma aura que confere ao personagem a imagem de herói mítico. Um guerreiro que faz da coragem, associada à malícia, a ferramenta da batalha em busca de justiça, igualdade e liberdade.
''Besouro Cordão-de-Ouro'' resgata a tradição dos contadores de história, os narradores que conferem sentido ao imaginário popular. A tradição que confere à cultura um sentido orgânico, uma extensão das ações diárias e cotidianas, um prolongamento da alegria que nasce do descontentamento frente ao sofrimento. Pode até ser encarado como um trabalho folclórico, mas, sem dúvida, é um espetáculo brasileiro até a medula.

SERVIÇO
Besouro Cordão-de-Ouro - dias 07 e 08, 22h, Casa de Cultura da UEL

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