PONTO DE VISTA - A morte como diversão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de junho de 2005
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha2 
Tudo indica que a banalização da violência e da perversão tornou-se um fato nos dias de hoje. Tornou-se também, ao longo dos anos, um tema recorrente na arte.
O espetáculo 'Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos'', presente no FILO 2005, aborda o tema em tom de deboche. Opta pela ''diversão'' em lugar da politicamente correta ''reflexão''. E faz isso de maneira completamente desencanada.
Fazendo uso de elementos da cultura ''trash'', recheia de humor a história de três curiosos personagens. Como o próprio ''trash'' é em si mesmo um elemento de humor, ''Morgue Story'' deita e rola em clichês que possuem o poder do riso.
O trabalho da companhia Vigor Mortis é pautado pelo intercâmbio de linguagens (teatro, cinema, quadrinhos). Um trabalho realizado com eficiência e estruturado a partir de um objetivo definido: narrar uma história bizarra. O destaque está no equilíbrio nessa junção de linguagens, algo cada vez mais presente nas artes cênicas.
''Morgue Story'', sob a direção de Pedro Biscaia Filho, segue uma das mais clássicas e eficientes maneiras de se fazer teatro: contar uma boa história. Para isso utiliza um amplo leque de recursos. Retrata o encontro de três figuras que se relacionam, de alguma forma, com a morte de maneira irônica. Realiza esse retrato brincando com a idéia de morte e fazendo uso de um humor estruturado em referências culturais de massa.
Para debochar da morte e da perversão, o espetáculo segue um caminho necessário, o caminho do exagero. Segundo os mestres do riso, para divertir basta exagerar. Mas o ponto positivo da montagem é justamente o uso do exagero de maneira calculada.


