Ponto de encontro do humor
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sábado, 08 de fevereiro de 2014
Alex Francisco<br>Folhapress 
São Paulo - Exibido às quintas-feiras desde 2007, o humorístico "A Praça É Nossa" (SBT) se renovou ao longo dos seus 26 anos de existência e, com isso, mantém um público fiel. Segundo o Ibope, a atração é um dos cinco programas de maior audiência do canal de Silvio Santos, com média de oito pontos (cada ponto equivale a 65 mil domicílios na Grande São Paulo).
Com o formato criado pelo humorista Manoel da Nóbrega (1913-1976), a atração segue apostando em um humor inocente e em personagens populares. Com isso, consegue ficar à frente da série "Breaking Bad", exibida pela Record. "Confesso que no início fiquei preocupado, quando soube que a 'Praça' ia encarar uma atração que é sucesso no mundo todo e que tem bom conteúdo. Mas minha obrigação é estar à frente da Record", diz o diretor Marcelo de Nóbrega.
Há 15 anos dirigindo a "Praça", Nóbrega avalia que o sucesso do programa está no jeito simples de fazer humor. "O banco da praça é como se fosse um palco pelo qual passam personagens que param para contar histórias divertidas. Meu pai [Carlos Alberto de Nóbrega, apresentador] serve de escada para esses humoristas."
Por conta do horário de exibição, a partir das 23h, "A Praça É Nossa" também tem investido em piadas de conotação sexual. Segundo o diretor, uma pesquisa feita pela produção do programa aponta que os homens com idade acima dos 40 anos representam 68% dos telespectadores que acompanham a atração. "Tem piadas mais sensuais e apimentadas e alguns chegam a criticar, falando que é brega. Mas nosso estilo é o popular, e estamos de olho no que agrada ao grande público", avalia.
Para Carlos Alberto de Nóbrega, a renovação no elenco de humoristas ajudou a "Praça" a manter sua boa audiência. "Sempre foi um programa com importantes nomes do humor brasileiro, mas muitos deles já morreram", diz o apresentador, relembrando artistas consagrados da atração, como Ronald Golias (1929-2005), Arnaud Rodrigues (1942-2010) e Clayton Silva (1938-2013), entre outros. "Então, os comediantes mais novos chegaram ao programa, e nós trabalhamos juntos para fazer um humor de qualidade. Os anos de 2012 e 2013 foram os melhores, estamos colhendo aquilo que plantamos", completa ele.
O apresentador, que é o redator-final das cerca de 50 páginas semanais com as piadas da "Praça", comenta que cobra disciplina dos colegas de trabalho. "Não admito que gravem sem terem estudado o texto ou que cheguem atrasados para a gravação. Levo muito a sério o trabalho e interrompo quando não está bom", diz. "É disciplina e amor. Na 'Praça', não há uma única estrela, somos todos iguais. E, se tem briga, ela acaba quando termina a gravação. Aprendi isso com meu pai", conclui, referindo-se ao criador do formato.
Novos nomes
Entre os novos nomes que têm se destacado no humorístico, há os já conhecidos pelo grande público, como Marlei Cevada, Matheus Ceará e Alexandre Porpetone. Sucesso na "Praça" com a doce Nina, que sempre faz perguntas impróprias, Marlei conseguiu emplacar outro personagem de seu repertório, o malandro Sangue. "Seu Carlos [Alberto de Nóbrega] ficou apreensivo, mas, aos poucos, o público foi se interessando por ele, pois percebiam que era o oposto da Nina e não acreditavam que ambos eram feitos pela mesma pessoa", diz a comediante. "O programa é um clássico, e o segredo do sucesso dele é sempre usar uma linguagem popular, que agrada a todas as classes e que todo o mundo entende", complementa.
Destaque no quadro "Jogo dos Pontinhos", do "Programa Silvio Santos" (SBT), com o personagem Cabrito Tévez, imitação do jogador Carlito Tévez, o humorista Alexandre Porpetone chega a viver um personagem diferente a cada semana, na "Praça". "São sempre tipos que estão na moda. E o público se diverte com as novidades", diz ele, que, nas últimas semanas, interpretou Félix, na paródia "Pavor à Biba". Na lista de sátiras feitas pelo comediante estão ainda Jo Soy Jo, doutor Enrola o Wood, Roberto Cabine e Marcelo Revende.
Para Porpetone, o segredo do sucesso de "A Praça É Nossa" está na condução de Carlos Alberto de Nóbrega. "Ele herdou o carisma do pai e atua por igual com todos os humoristas. A 'Praça' acompanha gerações porque sempre se renova", define.
Segundo Claudino Mayer, doutor em teledramaturgia pela Universidade de São Paulo (USP), os tipos clássicos que fazem piada no banco da "Praça", como João Plenário (Saulo Laranjeira) e o Jeca Gay (Moacyr Franco), entre outros, são sucesso por se aproximarem da realidade do brasileiro. "O programa faz o humor do dia a dia, com piadas que têm uma certa ingenuidade", descreve. "Com uma fórmula simples, mostra tipos que representam as regiões do Brasil, como o caipira, o policial engraçado e o deputado ladrão, entre outros. Por isso, as pessoas acabam se identificando", completa.


