''Ponte'' Brasil-Cabo Verde
Ponte Brasil-Cabo Verde
A cantora cabo-verdiana Cesaria Evora, que está lançando o seu Café Atlântico, teve muita influência da nossa Ângela MariaLançado pela BMG Café Atlântico, o novo CD da cantora cabo-verdiana Cesaria Evora, 58, que mais uma vez faz a ponte entre a morna (gênero tradicional de seu arquipélago natal) e o nosso samba-canção (não será demasiado informar que, na juventude, a cantora ouviu muito os velhos LPs de Ângela Maria e procurava imitá-la). Contando com músicos cubanos e brasileiros (entre eles, o onipresente Jacques Morelenbaum, que assina alguns dos arranjos e orquestrações), o disco ganhou, na edição para o nosso país, uma faixa-bônus na qual a veterana cantora (hoje conhecida internacionalmente, em especial na França) faz dueto com Marisa Monte no clássico É Doce Morrer no Mar, de Dorival Caymmi e Jorge Amado. O português de Cesaria, cheio de palavras no dialeto creoulo, falado na sua ilha (São Vicente), pode ser diferente do nosso, porém no Café Atlântico Brasil e Cabo Verde dividem a mesma mesa e estreitam suas afinidades musicais - que, não obstante a distância que separa os dois países, são bem maiores do que nós, brasileiros, costumamos supor.
[CD6 K 22 ]
Paul Auster, cujo novo romance Timbuktu deve chegar em breve ao Brasil: um autor acima da média
Giramundo
A editora Cia. das Letras promete colocar nas livrarias no segundo semestre a tradução do mais recente romance de Paul Auster, Timbuktu(lançado nos EUA pela Henry Holt, em maio). Autor de A Trilogia de Nova York, A Música do Acaso, Leviatã, roteirista (de Cortina de Fumaça) e cineasta (dirigiu, juntamente com Wayne Wang, Sem Fôlego e depois, sozinho, o interessante O Mistério de Lulu, disponível em vídeo distribuído pela Top Tape), Auster desta vez conta a história de um homem - um outsider nos anos 60, quando foi jovem, e, aos 45 anos, doente e fracassado - que abriu mão de tudo para vagar pelo mundo em companhia de seu cão. Embora a crítica norte-americana não tenha recebido o livro (um dos mais magros do escritor - 180 páginas) com o mesmo entusiasmo com que recebeu os anteriores, valerá dar uma espiada nele. Mesmo com altos e baixos, Auster é um autor acima da média.
[CD6 Q 22 ]
Arquivo Folha
O Mensageiro do Diabo, que traz Robert Mitchum como protagonista, é um filme magnificamente conduzido
Clássico
O canal Telecine 5, da Net, reprisa no sábado, às 23h45, O Mensageiro do Diabo (The Night of the Hunter, EUA, 1955), com Robert Mitchum, Lilian Gish e Shelley Winters nos principais papéis. Trata-se da única experiência como diretor do ator inglês Charles Laughton (Os Amores de Henrique VIII, Rembrandt, O Corcunda de Notre Dame - versão de 1939 -, Testemunha de Acusação), cujo centenário de nascimento foi comemorado no dia 1º deste mês. O filme é nada menos do que uma obra-prima (nas duas acepções do termo).
Realizado em preto e branco, com roteiro de James Agee (baseado em romance de Davis Grubb), conta a história de um pastor psicopata, Harry Powell, que tem tatuada numa das mãos a palavra amor e na outra, ódio. Numa temporada na prisão, ele conhece um ladrão que escondera em sua casa a vultuosa quantia de um roubo. Ao ser libertado, Powell aproxima-se da família do ladrão (que acabara de ser executado), casa-se com sua mulher e, após assassiná-la, passa a perseguir seus dois filhos, na tentativa de descobrir a localização do dinheiro roubado. Um filme tenso, magnificamente conduzido, que nos leva a lamentar o fato de Laughton - que morreria de câncer sete anos depois - não ter dirigido outros, pois talento e segurança foram qualidades sobejamente demonstradas em The Night os the Hunter. A destacar também a bela fotografia e o impressionante desempenho de Robert Mitchum no papel do pastor.





