Ponte aérea permite trabalhar em São Paulo
Florianópolis - O americano, Bittencourt e Markun conseguem a façanha de morar há pelo menos 700 km do local onde trabalham graças à ponte aérea o vôo entre São Paulo e Florianópolis leva em média 50 minutos , e a uma disposição incomum para enfrentar uma rotina desgastante. Em geral, fazem um bate-e-volta mais frouxo: chegam em São Paulo na terça-feira e vão embora na quinta à noite. ''No começo ficava apenas dois dias aqui, pois só apresentava o programa. Quando assumi a direção, passei a ficar mais tempo'', conta Markun.
Hoje ele tem um apartamento alugado na capital paulista, como faz a maior parte dos veteranos, entre eles Pedro, nome fictício de um jovem empresário, natural da Ilha mas que estudou e trabalha em São Paulo. ''Nunca arrumei uma mala. Tenho dois carros também, um em cada aeroporto'', conta. Pedro justifica a recusa em se identificar por ter uma personalidade ''mais retraída, pouco acostumada a se expor'', mas a grande maioria, faz o mesmo por medo. ''O número de pessoas como eu, que sempre encontro nos vôos, vem aumentando. E o principal motivo é a violência da metrópole'', diz. Ele conta que tem pelo menos dois amigos ''de vôo'' que se mudaram depois de sofrerem assalto ou sequestro em São Paulo.
Para baratear o custo de vida, Pedro paga por mês para manter os carros nos estacionamentos dos aeroportos e fez uma parceria com a Tam para a compra de passagens. ''Consegui valores menores até mesmo que os da Gol. As reservas faço pela Internet e uso o auto-atendimento no check-in'', conta. Pequenos detalhes que garantem um conforto fundamental na vida de um ''bate-e-volta''. ''Ir e voltar para casa torna-se assim, uma agradável pausa de para reflexão e leitura'', diz. Algo impensável no trânsito caótico de São Paulo, mesmo que a pessoa possa dispor de um motorista.
Já o empresário americano, além de manter um apartamento alugado em São Paulo, se vale da tecnologia para melhorar essa rotina, que cumpre há 10 anos. ''Desde 1990 uso um escritório virtual, que pode ser acessado de qualquer lugar do planeta'', conta. A tradição de sua empresa é abrir subsidiárias pelo mundo que compartilham uma rede de dados interna pela rede mundial de computadores. ''Abrimos escritórios sempre em grandes cidades como São Paulo, Buenos Aires, São Francisco. Locais onde realmente os negócios acontecem'', conta.
Segundo ele, apesar de Florianópolis não ter grandes possibilidades de negócios, é considerada mundialmente como um importante pólo de tecnologia, que propaga serviços. As viagens a São Paulo cumprem uma agenda de encontros, que são marcados preferencialmente entre terça e quinta-feira.
A excelência em tecnologia, principalmente na área de informática, para Bittencourt, possibilita uma integração interessante entre as empresas e a universidade. ''Preciso de pessoas centradas e soltas para criar bons produtos. Aqui, ninguém se estressa com horário ou trânsito. Meus funcionários são estudantes e trabalham de bermuda, sem horário definido, tudo muito relaxado. E o resultado é muito mais criativo'', garante. (J.B.C./Especial para AE)





