Um passeio pelos Campos Gerais confirma que o Brasil é terra de água doce e de belas paisagens naturais. Boa parte dessa imensidão de beleza fica em Ponta Grossa, na região do Paraná. Seja herança da ação da natureza ou das andanças dos tropeiros ou melhor, da soma delas o roteiro turístico é considerado um dos mais encantadores do Estado. O conjunto de atrativos é um convite a caminhadas ecológicas, práticas de esportes radicais, visitas histórico-culturais, ou simplesmente a contemplação.
O Parque Estadual Vila Velha é de fato o grande chamariz da região. Criado em 1953 e tombado pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado, em 1966, o lugar é o terceiro destino turístico mais visitado do Paraná. Com 3.122 hectares e coberto por cerrado e capões (conglomerados de mata) o parque é formado por três principais atrativos: Furnas, Arenitos e a Lagoa Dourada. Depois de dois anos fechado para revitalização, voltou a funcionar em 2004, com novo plano de manejo. As obras custaram cerca de R$ 5 milhões, recursos oriundos do Fundo Estadual do Meio Ambiente.
A mudança é perceptível desde a entrada do parque, que recebe cerca de 8 mil visitantes, por mês. O sistema viário sofreu adequação, as trilhas são monitoradas e contam com o serviço de guias especializados. A recepção foi incrementada com a construção de lanchonete, restaurante, loja de artesanato, sala para exibição de vídeo educativo e estacionamento. O passeio, parte feito de microônibus e parte de caminhada, começa com a visita às furnas, gigantescas crateras verticais criadas a partir da erosão inversa do lençol freático.
As furnas ou caldeirões do inferno hipnotizam o olhar do visitante. A primeira tem mais de 80 metros de diâmetro e 107 de profundidade (metade é cheia de água). Lá, está instalado o único teleférico vertical do Brasil, que no momento está desativado por motivos de segurança e por suspeita de estar degradando o arenito. Na segunda, com 70 metros de diâmetro, existe uma espécie diferente de lambari que se adaptou as condições da água, muito profunda e com pouca luminosidade. As outras duas estão com a visitação suspensa.
Na Lagoa Dourada, uma furna em extinção, o turista pode aguardar uma paisagem exuberante, principalmente, se de lá avistar o pôr-do-sol, quando a superfície fica coberta com um manto dourado. Com 350 metros de diâmetro, o lugar de água límpida permitiu no seu entorno o aparecimento de um capão e peixes como corimbatá, tubarana, cará e lambari. A fauna do parque se completa com lagartos, jaguatiricas, quatis, cachorros-do-mato, furão, veados, tatus, pica-paus, tamanduás-bandeira, entre outras espécies.
A próxima parada chama a atenção pela imponência de seus atrativos. São os Arenitos, com origem de mais de 340 milhões de anos, resultados da transformação permanente pela ação de chuvas e ventos. Desse processo foram criados diferentes figuras apelidadas (e semelhantes) de taça, camelo, esfinge, proa do navio, bota e garrafa. Aqui o arenito tem cor avermelhada e é mais resistente devido a presença do óxido de ferro. O percurso completo é feito em cerca de 1h30. O parque funciona das 8h30 até 17h30. O passeio nas Furnas, Lagoa Dourada e Arenito sai por R$ 12.
Itaioca A cerca de 26 km do centro de Ponta Grossa, no Distrito de Itaioca, está localizado um dos cenários mais encantadores dos Campos Gerais. Trata-se do Buraco do Padre assim chamado por ter servido de abrigo para padres jesuítas no passado , uma furna que tem no seu interior uma cascata formada pelo Rio Quebra Perna. Para chegar até lá existe uma trilha de 1 km de fácil acesso. Nas costas do Buraco também fica a Fenda da Freira, uma deslocamento de rocha com 3 metros de largura e 30 de altura. No Vale do Rio Quebra Perna está a Cachoeira da Mariquinha, com cerca de 30 metros de queda.
O Cannyon do Rio São Jorge, a 15 km do centro, oferece paisagem formada por rochas, cachoeiras e rio de águas cristalinas. Aqui se concentra boa parte das práticas de esportes radicais na região. Nos paredões de 40 metros, os turistas se aventuram em atividades como rapel e escalada. O pára-quedismo pode ser feito num local próximo ao aeroporto municipal de Sant'Ana, onde ficam as furnas gêmeas, perto da saída para Curitiba. Outros locais de destaque natural são o Capão da Onça com três quedas d'água , Parque Municipal Rio Verde, Represa dos Alagados e o Recanto Botuquara. Estes dois últimos locais são propriedade privada.
Histórico O roteiro histórico-cultural urbano de Ponta Grossa engloba um conjunto arquitetônico de estilos neoclássico, eclético e alguns referenciais de Arte Deco. Do tour, que pode ser feito a pé e com guia da Prefeitura, faz parte o cemitério Municipal de São José, que reúne além de beleza artística, parte da história política da cidade.
Ainda podem ser visitadas edificações tombadas pelo Conselho Estadual de Patrimônio Cultural, como o Colégio Regente Feijó, a Mansão Villa Hilda, o antigo Fórum, a capela do antigo Hospital 26 de Outubro, o prédio da Proex (Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG) e o Complexo da Rede Ferroviária.

SERVIÇO
Parque Estadual Vila Velha – 42 3228-1138
Centro de informação ao Turista (Praça Barão do Rio Branco) –
42 3901-1579

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