Jackeline Seglin
De Curitiba
O espetáculo ‘‘Uma Baleia Perto da Lua’’, que estréia hoje na Mostra dos Incluídos do Festival de Teatro de Curitiba, pode ser considerado uma soma dos 10 anos de pesquisas e experiências do grupo paulista Pombas Urbanas. A companhia, dirigida por Lino Rojas, surgiu de um trabalho com jovens da periferia de São Paulo, que buscaram organizar suas vidas cavando um espaço na arte. O Pombas Urbanas já apresentou no FTC a montagem ‘‘Mingau de Concreto’’.
‘‘Uma Baleia Perto da Lua’’ tem reminiscências do primeiro trabalho do grupo, ‘‘Os Tronconenses’’, de 1989. ‘‘É o jovem se deparando com uma sociedade que não apresenta possibilidades de futuro, de elaborar um projeto de vida. E isso faz com que ele desafogue essa pressão em modelos violentos, como boates funk, estádios de futebol e a própria televisão’’, comenta Rojas.
Sonhos como o da menina que quer ser Carla Perez ou o do garoto que deseja se tornar Pelé são exemplos inatingíveis, segundo Rojas, e que numa solução imediata e mágica tornam-se esgoto da sociedade. ‘‘Uma Baleia... resgata isso, falando do Brasil atual e do que os jovens farão desse País’’, explica.
Para Rojas, o jovem de hoje está inventando outras saídas. ‘‘Ele é um verdadeiro revolucionário’’, acredita. É essa visão que o diretor tenta passar através do texto de Charles Welles, na minitragédia que conta a história de habitantes de uma cidade imaginária, a partir do olhar de suas crianças.
Nesta peça, dois velhos amigos marcam um encontro num local onde na infância eles brincavam. O antigo playground, agora abandonado, é habitado por uma mulher considerada louca, que criou para si uma realidade imaginária. Lúcida em seu discurso, a mulher entra em choque com os homens. Cria-se uma discussão da problemática do País e dos jovens – envolvendo sexo, violência, drogas, loucura e a fome.
FICHA TÉCNICA
Texto: Charles Welles
Direção: Lino Rojas
Elenco: Adriano Mauriz, Fabrícia Ourives, Daniela Bozzo e outros