Pólos de aventura agitam as férias
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2005
Adriana Moreira<br> Especial para a<br> Agência Estado 
São Paulo - Fazer um esporte de aventura por dia é coisa do passado. A novidade agora são os pólos de aventura, que reúnem várias atividades e oferecem uma estrutura com vestiário, banheiros e até áreas de lazer para os acompanhantes que não curtem atividades radicais. Alguns contam até com hospedagem, para que o cliente não perca tempo se deslocando até o local.
Cerca de 5 mil turistas ao mês vão a Socorro, a 135 quilômetros de São Paulo, em busca de adrenalina. Lá, os centros de aventura vêm crescendo: observando as placas na estrada, percebe-se que há várias opções. O engenheiro agrônomo José Fernandes foi um dos que decidiram investir nesse nicho. Ele criou o Parque dos Sonhos, onde se pratica aquaride, bóia-cross, tirolesa, pêndulo e arvorismo, entre outras modalidades. ''Comecei com turismo rural, mas percebi o crescimento dos esportes de aventura. E achei que valia a pena investir.''
Márcio Alves também acreditou no crescimento turístico de Socorro e inaugurou, em outubro, o EccoPark. ''Sei que é um investimento a longo prazo, mas vale a pena'', diz. Em Ilhabela, no litoral norte, Francisco Góes também percebeu que o mercado de aventura poderia ser lucrativo e montou o Eco Point. ''Aventura é o segmento turístico que vem apresentando maior crescimento'', relata. ''Tinha uma grande área e queria mantê-la preservada. Por isso, decidi fazer o parque.''
Dona de uma geografia privilegiada, Socorro vem investindo em seu potencial ecoturístico. A cidade tem um grande número de morros, nascentes e cachoeiras, além do Rio do Peixe, o principal do município. E por que não juntar todo esse potencial num só lugar?
Com essa idéia, José Fernandes criou o Parque dos Sonhos há dois anos, numa área de 400 mil metros quadrados. Lá, a adrenalina corre solta para todo o tipo de aventureiro. Nos esportes aquáticos, há bóia-cross, aquaride e ducking no Rio Cachoeirinha, um dos afluentes do Peixe. Há também canyoning, trilhas, caving, off-road e mountain bike.
Mas as principais atividades do centro de aventura estão nas alturas. Para praticar o arvorismo, não é preciso ser tão radical: pode-se escolher o circuito médio, com menos obstáculos. Lourdes Meza, de 39 anos, e os filhos Diego, de 13, e Belen, de 17, encararam essa opção. Os três adoraram. ''No começo, dá medo quando você vê o vazio. Mas, depois, é uma delícia'', diz a mãe.
Já o pêndulo é para poucos. ''Temos uma taxa de desistência de 30%. Muita gente desiste na hora H'', conta Anderson Florêncio, idealizador do ''brinquedo''. Para chegar à plataforma de saltos, é preciso fazer um rappel de aproximadamente oito metros.
Os corajosos saltam de uma base a 35 metros de altura, como num bungee jumping, presos por três cordas. Depois de uma queda livre de sete metros, as cordas esticam e a pessoa gira por alguns segundos. Para descer até o chão, só fazendo um pequeno rappel.
Bruna Gonçalves da Silva, de 19 anos, encorajou o namorado Thiago Donizeti Barbosa, de 21. ''É muito bom, faria muitas vezes de novo'', contou Bruna. Já Thiago quase desistiu. ''Quando olhei para baixo, o coração disparou. Nem sei como saltei'', descreveu. ''Foi legal, mas uma vez basta.''
As tirolesas são uma atração à parte. O parque conta com três: Calafrio (200 metros), Arrepio (250 metros) e Berro (500 metros). A última atravessa o local do alto de um morro, a uma velocidade de até 60 quilômetros por hora, e é pura curtição.
A entrada custa R$ 3 e dá direito à área da Praia dos Sonhos e à infra-estrutura do centro de lazer, além de cafezinho e leite tirado na hora. Os esportes são pagos à parte. Mais informações: (19) 3955-2870 e (19) 3895-4696; www.parquedossonhos.com.br.
Só natureza - No recém-inaugurado EccoPark, a natureza é quem manda. Instalado numa área de mais de 400 mil metros quadrados, numa antiga fazenda de café, oferece uma infinidade de cascatas, onde se pratica principalmente canyoning. O circuito completo dura cerca de oito horas, com um percurso recheado de tirolesas, rappel e até pequenos trechos de caving.
Outra atração é a pista de mountain bike, de cinco quilômetros de extensão - dois deles só de subida. Os ciclistas terão mais em 2005, segundo o proprietário Márcio Alves: uma pista de downhill de 1,5 quilômetro, com 30 obstáculos, quase todos naturais.
O parque abre de terça-feira a domingo, mas é no fim de semana que os visitantes podem curtir todas as atividades disponíveis. Mais informações: (11) 9513- 9521; www.eccopark.com.br.
Socorro conta ainda com a Base 55, de onde ocorrem as saídas para rafting no Rio do Peixe. O local tem uma pista de downhill e um off-road bastante inusitado: a carroceria de um 4X4 foi adaptada para receber 12 turistas, que têm uma visão geral do percurso.
Segundo Luciano Peixoto, um dos proprietários, a idéia é que o lugar mantenha apenas algumas atividades e vire um centro de treinamento para atletas. ''É um público diferenciado'', diz ele. Mais informações: (19) 3855-2050; www.base55.com.br.
Serviço:
Como ir
- De carro: siga pela Rodovia Fernão Dias até Bragança Paulista. De lá, pegue a Rodovia Capitão Barduíno até Socorro. Serão mais 52 quilômetros.
Outra opção é ir pelo sistema Anhanguera/Bandeirantes até Jundiaí, pegar o trevo de Itu seguindo a direção de Itatiba e Bragança Paulista até Socorro.
- De ônibus: a Viação Bragança (11-6221-3694) tem passagem diária às 6, 7 e 8 horas e, depois, a cada duas horas até as 20h30. O bilhete custa R$ 18,50.


