Polônia de muitas lutas
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de junho de 1997
Agência Estado 
Artesanato típico polonês: entre os povos eslavos é o que mais se assemelha aos latinosO peso de uma história tumultuada, a trajetória errática do estado polonês e a longa exposição à cultura latina são chaves importantes para se compreender o espírito polonês. Mesmo em uma curta estada no país, é difícil deixar de perceber o horror com que falam dos russos, o medo que sentem dos alemães e a admiração indisfarçável que têm pelos italianos.
O país foi palco de alguns dos episódios históricos mais trágicos de todo o continente. Assediada por mongóis no século 13, invadida pelos suecos no século 17 (de 1655 a 1657), ocupada pela tropas nazistas durante a 2ª Guerra e posteriormente liberada pelo exército russo, que estacionou no seu território por décadas, a Polônia sempre pagou um alto preço pela sua excelente localização geográfica, bem no centro da Europa. Ilhado entre os povos mais belicosos do planeta, seu território foi várias vezes desfigurado por invasores, desapareceu do mapa da Europa e abrigou os maiores horrores cometidos contra a humanidade no século 20.
Ainda hoje, as marcas da ocupação dos nazistas e do Exército Vermelho são perfeitamente visíveis em Varsóvia, Cracóvia e nos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau.
A população polonesa cultiva uma profunda religiosidade. A qualquer hora do dia, as igrejas estão lotadas
Fiéis em fila Para além da guerra, no entanto, a população polonesa cultiva uma profunda religiosidade e é, entre os eslavos, a que mais se assemelha aos povos latinos. A convivência com a cultura latina, via catolicismo, já tem mais de mil anos e está na origem do Estado, que nasceu oficialmente com a conversão do Duque Mieszko I ao cristianismo, em 966. As demonstrações da fé católica estão por toda parte e impressionam até mesmo visitantes de um país tão católico quanto o Brasil. A qualquer hora do dia, as igrejas estão lotadas de fiéis a rezar diante dos altares. Nos confessionários, sempre há filas de fiéis à espera da remissão de seus pecados. No interior do país, até mesmo à beira das estradas, é comum ver gente de todas as idades concentrada em torno de imagens da virgem em altares invariavelmente enfeitados com fitas coloridas.
A resistência aos vizinhos ameaçadores e o fechamento do país ao Ocidente durante o regime comunista coloca algumas dificuldades linguísticas para quem visita. Poucos falam inglês, raros dominam o alemão e o russo, ao contrário do que se possa imaginar, é língua morta na maior parte do território.
As barreiras da língua, no entanto, são facilmente quebradas pelos poloneses, em geral simpáticos, fáceis no trato, embora ainda tímidos com os turistas. Com a democratização do país e a abertura, rapidamente a população se acostuma com o número crescente de viajantes que anualmente passam pelo território polonês. A meio caminho entre a Europa Ocidental e o Oriente, a Polônia é ponto de parada obrigatória para quem cruza a Europa de carro, ônibus ou trem.


