CuritibaAtuar como autor, diretor e ator em mais de uma montagem na mesma edição do 11º Festival de Teatro de Curitiba (FTC) pode parecer uma missão impossível, mas alguns artistas encaram o desafio com naturalidade. A atriz cearense Anna Cláudia Mendes, que mora há oito anos em São Paulo, é uma das campeãs neste ano na maratona de peças.
Em Curitiba ela protagonizará duas estréias: o monólogo tragicômico ‘‘Por um Fio’’, com textos de Friedrich Nietzsche e Clarice Lispector, e o drama ‘‘In-Sone – Um Tempo que Não Passa...’’ Além disso, trará ainda a comédia ‘‘A Fuga’’, que fez temporada recente em São Paulo.
‘‘Além de atuar nos três espetáculos, ainda corro atrás de patrocínio, figurinos, cenário e divulgação’’, explica. Dormindo em média quatro horas por noite, Anna garante que todo o esforço compensa. ‘‘Minha vida é totalmente dedicada ao teatro, minha felicidade depende disto’’, afirma.
O curitibano Valdir Fagundes, 31 anos, tem a mesma opinião. Há três anos consecutivos atuando em vários espetáculos do festival, ele diz que a oportunidade é única e que o esforço é compensador. ‘‘Eu gosto de todas as funções dentro do teatro’’, justifica.
Desta vez ele responderá pela autoria e direção de ‘‘A Encalhada’’ e pela adaptação, direção e interpretação da estréia de ‘‘Lua Crescente em Amsterd㒒, ambas no Fringe. ‘‘O segredo é apenas conciliar os horários, descansar e se alimentar bem antes e durante o festival e, principalmente, estar sempre tranquilo’’, ensina. Para adaptar seu organismo a tanta correria, ele conta que ensaiou os espetáculos exatamente nos horários em que eles acontecerão durante o festival.
A experiência, segundo Fagundes, já deu certo no ano passado, quando exerceu funções de direção, autoria, iluminação e maquiagem nos espetáculos ‘‘Terra Brasilis’’ e ‘‘Los Diablos’’. No festival de 2000, Fagundes dirigiu e atuou em ‘‘O Lobo e a Lua’’ e ‘‘Macbeth’’. Para ele, a questão é não perder nenhuma oportunidade quando se trata do Festival de Teatro de Curitiba. O evento, para ele, tem grande importância em sua carreira artística, já que estreou profissionalmente com o espetáculo ‘‘Sofia’’, no Fringe de 1999. ‘‘Tivemos um público extraordinário, o que nos obrigou a permanecer em temporada depois do festival’’, lembra.
Motivos à parte, o ator curitibano Anderson Faganello, 28 anos, também está pronto para encarar uma maratona de compromissos durante o festival deste anno. Ele faz parte do elenco dos espetáculos ‘‘As Richas’’, ‘‘Lágrimas Puras em Olhos Pornográficos’’ e ‘‘El Flamenco’’. ‘‘Além de atuar como ator, acabo sempre me envolvendo com questões como figurino, cenário e divulgação’’, conta. ‘‘Também participo da programação de eventos paralelos, organizando as festas’’.
A motivação, afirma, vem do grande amor pelo teatro. ‘‘Não há como recursar convites para estar nos palcos do festival’’, justifica. A única questão é conciliar horários e ter energia suficiente. Para isto, Faganello diz tomar muita água, fazer alongamentos e relaxamentos corporais, preparação e aquecimento de voz. A alimentação deve ser sempre leve.
Nas edições passadas ele já atuou em espetáculos como ‘‘A Arena de um Drama Moderno’’ e ‘‘Fábulas Curitibanas’’. Esta é a primeira vez, entretando, que está envolvido com tantos projetos ao mesmo tempo. ‘‘Já tive maratonas semelhantes fora do festival, encenando um mesmo espetáculo três vezes por dia, de quinta a domingo. É um ótimo exercício para o ator’’, comenta.
Além de suas atuações no palco, Faganello acaba de encerrar as filmagens do longa-metragem ‘‘O Quarto do Universo’’, do curitibano Guido Viaro, que deverá entrar em circuito nacional em julho. ‘‘Comecei este ano a mil por hora’’, comemora o ator.
Quem também está a mil por hora nesta fase é o ator Ranieri Gonzáles, protagonista de ‘‘Anti-Nelson Rodrigues’’, no papel de Osvaldinho. A peça encerrou na sexta-feira, mas ao mesmo tempo ele vinha ensaiando ‘‘Lágrimas Puras em Olhos Pornográficos’’, sob direção de Edson Bueno.
Ainda mais enlouquecido que Gonzáles, Bueno assina a direção de três peças que estão no Fringe: o monólogo ‘‘O Tempo Passa Igual’’, com texto de Rodrigo Menon; ‘‘Um Rato em Família’’ e ‘‘Lágrimas Puras em Olhos Pornográficos’’. As duas últimas também com texto do diretor. Não fosse a falta de tempo, agravada com o atraso na confecção do cenário – criação do premiado Gelson Amaral –, o Fringe teria mais um título ostentando o nome de Bueno: ‘‘O Jardim do Diabo’’, de Luis Fernando Verissimo. Sem contar que ele ainda defendia um papel em ‘‘Anti-Nelson Rodrigues’’ e é apresentador do programa ‘‘Enfoque’’, que vai ao ar pela TV Educativa, da Rede Paraná.

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