Polivalência em cena
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domingo, 24 de março de 2002
Equipe da Folha 
CuritibaAtuar como autor, diretor e ator em mais de uma montagem na mesma edição do 11º Festival de Teatro de Curitiba (FTC) pode parecer uma missão impossível, mas alguns artistas encaram o desafio com naturalidade. A atriz cearense Anna Cláudia Mendes, que mora há oito anos em São Paulo, é uma das campeãs neste ano na maratona de peças.
Em Curitiba ela protagonizará duas estréias: o monólogo tragicômico Por um Fio, com textos de Friedrich Nietzsche e Clarice Lispector, e o drama In-Sone Um Tempo que Não Passa... Além disso, trará ainda a comédia A Fuga, que fez temporada recente em São Paulo.
Além de atuar nos três espetáculos, ainda corro atrás de patrocínio, figurinos, cenário e divulgação, explica. Dormindo em média quatro horas por noite, Anna garante que todo o esforço compensa. Minha vida é totalmente dedicada ao teatro, minha felicidade depende disto, afirma.
O curitibano Valdir Fagundes, 31 anos, tem a mesma opinião. Há três anos consecutivos atuando em vários espetáculos do festival, ele diz que a oportunidade é única e que o esforço é compensador. Eu gosto de todas as funções dentro do teatro, justifica.
Desta vez ele responderá pela autoria e direção de A Encalhada e pela adaptação, direção e interpretação da estréia de Lua Crescente em Amsterdã, ambas no Fringe. O segredo é apenas conciliar os horários, descansar e se alimentar bem antes e durante o festival e, principalmente, estar sempre tranquilo, ensina. Para adaptar seu organismo a tanta correria, ele conta que ensaiou os espetáculos exatamente nos horários em que eles acontecerão durante o festival.
A experiência, segundo Fagundes, já deu certo no ano passado, quando exerceu funções de direção, autoria, iluminação e maquiagem nos espetáculos Terra Brasilis e Los Diablos. No festival de 2000, Fagundes dirigiu e atuou em O Lobo e a Lua e Macbeth. Para ele, a questão é não perder nenhuma oportunidade quando se trata do Festival de Teatro de Curitiba. O evento, para ele, tem grande importância em sua carreira artística, já que estreou profissionalmente com o espetáculo Sofia, no Fringe de 1999. Tivemos um público extraordinário, o que nos obrigou a permanecer em temporada depois do festival, lembra.
Motivos à parte, o ator curitibano Anderson Faganello, 28 anos, também está pronto para encarar uma maratona de compromissos durante o festival deste anno. Ele faz parte do elenco dos espetáculos As Richas, Lágrimas Puras em Olhos Pornográficos e El Flamenco. Além de atuar como ator, acabo sempre me envolvendo com questões como figurino, cenário e divulgação, conta. Também participo da programação de eventos paralelos, organizando as festas.
A motivação, afirma, vem do grande amor pelo teatro. Não há como recursar convites para estar nos palcos do festival, justifica. A única questão é conciliar horários e ter energia suficiente. Para isto, Faganello diz tomar muita água, fazer alongamentos e relaxamentos corporais, preparação e aquecimento de voz. A alimentação deve ser sempre leve.
Nas edições passadas ele já atuou em espetáculos como A Arena de um Drama Moderno e Fábulas Curitibanas. Esta é a primeira vez, entretando, que está envolvido com tantos projetos ao mesmo tempo. Já tive maratonas semelhantes fora do festival, encenando um mesmo espetáculo três vezes por dia, de quinta a domingo. É um ótimo exercício para o ator, comenta.
Além de suas atuações no palco, Faganello acaba de encerrar as filmagens do longa-metragem O Quarto do Universo, do curitibano Guido Viaro, que deverá entrar em circuito nacional em julho. Comecei este ano a mil por hora, comemora o ator.
Quem também está a mil por hora nesta fase é o ator Ranieri Gonzáles, protagonista de Anti-Nelson Rodrigues, no papel de Osvaldinho. A peça encerrou na sexta-feira, mas ao mesmo tempo ele vinha ensaiando Lágrimas Puras em Olhos Pornográficos, sob direção de Edson Bueno.
Ainda mais enlouquecido que Gonzáles, Bueno assina a direção de três peças que estão no Fringe: o monólogo O Tempo Passa Igual, com texto de Rodrigo Menon; Um Rato em Família e Lágrimas Puras em Olhos Pornográficos. As duas últimas também com texto do diretor. Não fosse a falta de tempo, agravada com o atraso na confecção do cenário criação do premiado Gelson Amaral , o Fringe teria mais um título ostentando o nome de Bueno: O Jardim do Diabo, de Luis Fernando Verissimo. Sem contar que ele ainda defendia um papel em Anti-Nelson Rodrigues e é apresentador do programa Enfoque, que vai ao ar pela TV Educativa, da Rede Paraná.


