Melhorar o nível de aprendizagem dos alunos municipais de Londrina tem sido a principal meta da educação integral, mas o desafio ainda é grande: dos 30 mil alunos da rede municipal, apenas sete mil estão inseridos nesse sistema. Em vigor desde o ano passado, quando foi implantado o projeto-piloto na Escola Municipal Mari Carrera Bueno (Caic da Região Oeste), atualmente 19 escolas da cidade, incluindo algumas rurais, são de período integral, oferecendo atendimento das 8h às 17 horas, com cinco refeições diárias e oficinas pedagógicas e recreativas no contraturno.
As escolas dependem de adequação estrutural e pessoal para se adaptarem às exigências da nova política pública. ''Há demanda principalmente de espaço físico e, se tratando do setor público, temos que lidar com questões burocráticas, como as licitações, para dar andamento aos projetos'', afirma Luciana Adário Brandão, gerente da Educação Integral da Secretaria Municipal de Educação. Recentemente foi inaugurado o Grêmio dos Servidores Municipais de Londrina, no Jardim Ideal, que irá funcionar como pólo de atendimento da educação integral para cinco escolas da Região Leste que não possuem estrutura física para o sistema. Inicialmente 360 alunos serão atendidos, mas a capacidade é de 1.000 atendimentos.
Sobre o risco do sistema integral deixar de ser prioridade na próxima gestão municipal, Luciana avalia: ''Isso não deve acontecer porque a educação integral não é moda, é uma necessidade; e já está comprovado que o rendimento do aluno é muito melhor nesse sistema, que está previsto pela nova Lei de Diretrizes e Bases''.
Entusiasta da educação integral, a diretora Maria Aparecida Maricato, da Escola Municipal Professor Moacyr Teixeira, admite que os desafios são grandes, mas defende que eles sejam transpostos para o bem da educação. ''É um trabalho que funciona mesmo. Tem que ser exigido, tem que acontecer'', ressalta.
Inserida no sistema desde o ano passado, sua escola ainda não consegue atender todos os seus 736 alunos de 1 à 4 série. Hoje são atendidos no período integral 160 alunos de manhã e 160 à tarde, totalizando 320 estudantes. Os critérios para a seleção desses alunos englobam situação de risco (crianças que ficam sozinhas, risco de acidente doméstico), dificuldades de aprendizagem e irmãos que estudam na mesma escola.
As atividades do contraturno são realizadas no Centro Municipal de Educação Integral Professor Moacyr Teixeira, antigo clube do Conjunto Habitacional Maria Cecília, que fica próximo à escola, sendo que os estudantes são transportados de ônibus logo que acabam as aulas curriculares. Lá, os alunos participam de diversas oficinas.
O espaço, que possui piscinas e ginásio esportivo, foi adaptado para a proposta pedagógica, mas ainda precisa de mais seis salas de aula e uma passarela para o refeitório. Até as churrasqueiras viraram salas de aula improvisadas.
Em sistema de rodízio, os alunos vão passando pelas mais diferentes oficinas previamente organizadas por série. A cada mudança de atividade, um aluno fica responsável pela liderança do grupo e outro, o fecha trilha, verifica se ninguém ficou para trás. ''O interessante é que no ano passado realizamos uma pesquisa com os alunos sobre a preferência das oficinas e nenhuma teve menos que 85% de aprovação'', lembra Maria Lúcia Oliveira, coordenadora de projetos.
Aproveitando a temática do Carnaval, os alunos confeccionaram máscaras na oficina de artes da professora Laura Maria Giório Saviani. Na aula de música, da professora Alexandra Durello Banachi, os alunos aprendem a tocar flauta doce, conhecem músicas folclóricas, contemporâneas e clássicas, trabalham a escuta consciente, os parâmetros do som e brincam com jogos pedagógicos relacionados à disciplina. ''Tem hora que eles pedem para ouvir Luan Santana, mas explico que a minha intenção é apresentar repertórios que eles não têm muito acesso'', comenta Alexandra.
Já a professora Tania Paula Peralta é responsável pela oficina Brincando na Escola e estimula a imaginação dos pequenos ao fazer contação de histórias na casinha de bonecas de madeira.
Na oficina de jogos populares, da professora Vera Lúcia Castro, o dia foi dedicado a pular corda, brincadeira de infância que ainda é novidade para muitas crianças. Amarelinha, bola queimada, 5 Marias, peteca, mãe da rua também são algumas das atividades que acabam surpreendendo os menores.
Nos jogos de salão, o raciocínio é estimulado pelo xadrez e pela dama, que teve a orientação do professor Tiago Chamlet, que no ano passado deu aulas de natação e se impressionou com a rapidez que os alunos aprenderam essa habilidade.
Nas churrasqueiras adaptadas, olhinhos atentos na aula de ética e leitura da professora Érica Vieira Duarte Ferracini e muita expectativa para os jogos de reforço e lógica, com a professora Maria de Fátima Durello Banachi, que trabalha a lateralidade, a visualização, entre outros aspectos pedagógicos, como forma de complementar a aprendizagem vista em sala de aula.
O refeitório também vira sala de aula e nele acontecem duas vezes por semana as aulas de tarefa, onde os alunos - sob a supervisão da professora Geni Fernandes Moreira - têm a oportunidade de tirar suas dúvidas e serem mais organizados na hora de fazer o dever de casa. ''O objetivo é que eles adquiram o hábito de fazer diariamente a tarefa e que os pais também assumam a responsabilidade de auxilir os filhos nessa atividade'', observa a professora.
O projeto ainda inclui oficinas de capoeira expressiva, ecologia e mini vôlei.

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