Para muitos, ela ainda é apenas sinônimo de diversão, mas a importância da música vai muito além. Desde 2008, a lei 11.769 tornou obrigatório o ensino de música na educação básica de todas escolas públicas e privadas, reforçando a sua importância pedagógica no desenvolvimento integral do indivíduo. A ideia não é formar instrumentistas, mas ampliar o conhecimento da percepção sonora.
Contemplada dentro da disciplina de arte, o ideal seria que a disciplina fosse aplicada por professores de música, mas na prática o que se constata são poucas escolas investindo seriamente nessa determinação educacional - mesmo as particulares que a princípio teria mais recursos para isso. Para que as escolas tivessem mais tempo para se adaptar à lei, o governo deu um prazo de três anos, que se expira em agosto deste ano.
''A questão é complexa e envolve vontade política também, porque apenas a lei não basta. Faltam profissionais suficientes para atender a demanda das escolas, até porque temos poucos cursos de licenciatura em música; as escolas públicas também dependem de concursos e editais adequados'', pontua a educadora musical Magali Kleber, presidente da Associação Brasileira de Educação Musical. ''De qualquer forma, é necessário que a população brasileira se dê conta de que isso é um direito dos alunos. Ela deve exigir a aplicação da lei, que é obrigação da escola'', acrescenta.
No Colégio Mãe de Deus, que em 2012 completa 76 anos de atuação, as aulas de música dentro da grade curricular básica está presente desde o início. Até mesmo por influência das irmãs de origem alemã, que já vieram com uma cultura musical bastante forte, o trabalho musical na área da educação é referência na cidade desde a educação infantil. ''A música é bastante valorizada no colégio e as aulas sempre foram dadas por professores licenciados em música ou músicos com trabalhos específicos na área de educação'', informa a professora de música Luciana Aparecida Schmidt dos Santos.
Responsável pelas aulas de música com alunos do primeiro ao nono ano do fundamental, Luciana também foi autora dos Cadernos de Música, material pedagógico utilizado no colégio que também serve como prática de registro e avaliação. ''Além dos cadernos, utilizamos registros sonoros, como CD e DVD, para facilitar a percepção do desenvolvimento do trabalho'', comenta.
No caso da turma do quinto ano, as aulas de flauta doce, dentro do Método Suzuki, é um apoio a mais para aprender música. Afinadas, as alunas têm se esmerado na aprendizagem e até já realizaram algumas apresentações. Baseado no tripé apreciação, composição e performance, os alunos conhecem os parâmetros do som, instrumentos de orquestra e de banda, além de vários estilos musicais. Para os alunos do quinto ao nono ano o enfoque maior é para piano, voz e percussão. Já para o ensino médio a disciplina ainda não está inserida.
''Procuramos proporcionar uma escuta mais variada, que foge do que a mídia impõe. No começo os alunos têm uma certa resistência, mas depois já começam a perceber que para fazer uma boa música não precisa ser tão apelativo como muitas das bandas de sucesso da atualidade'', afirma a professora. ''É importante mostrar para eles que a música é tão exata quanto a matemática, e ao mesmo tempo tão humana quanto outras áreas.''

Imagem ilustrativa da imagem POLÍTICA PÚBLICA - Aula de música nas escolas ainda enfrenta dificuldades
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