POLÍTICA CULTURAL EM DEBATE
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domingo, 29 de julho de 2001
Rodrigo Souza Grota De Londrina 
A política cultural de Londrina deve mudar. E muito. Ao menos em três aspectos o secretário municipal de cultura Bernardo Pellegrini pretende revolucionar o conceito de cultura ao qual a cidade está acostumada.
Pellegrini pretende inovar seguindo o princípio de que cultura deve ser entendida como política pública. A implantação da Rede da Cidadania, a reformulação do Conselho Municipal de Cultura e a reestruturação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura serão os primeiros passos para efetivar o que Bernardo chama de democratização do acesso à cultura. Todos esses temas serão discutidos na 1ª Conferência Municipal de Cultura, que será realizada em Londrina de 13 a 15 de setembro, em local ainda indefinido.
Segundo o secretário, o prefeito Nedson Micheleti (PT) quer que a Rede da Cidadania se transforme em um ponto de ligação entre todos os projetos da prefeitura. Pellegrini está otimista, e espera uma cidade nova já no próximo ano.
Para mudar o cenário cultural londrinense, o secretário pretende unir todas as regiões da cidade sob um mesmo objetivo, o de possibilitar um acesso maior à produção cultural. Com essa meta, a Rede da Cidadania pretende instalar pontos que funcionem como núcleos culturais. Uma tentativa de integrar a população das regiões periféricas ao que é produzido na cidade, levando peças, filmes e apresentações musicais a pontos nunca antes aproveitados.
Segundo o coordenador da Incubadora de Projetos Culturais da Secretaria Municipal de Cultura, Valdir Grandini Alvares, se não houver verbas suficientes para implantar o projeto, é possível aproveitar espaços que já existem, como postos de saúde, escolas e centros comunitários, prevê.
O projeto, segundo Alvares, deve representar uma revolução cultural para a cidade, já que pela primeira vez na história de Londrina programações artísticas chegarão a locais ignorados pela produção cultural local. Um dos alicerces que pode sustentar todo o projeto da Rede da Cidadania seria a venda da Sercomtel Celular, que será decidida em consulta popular.
Alguns projetos já esboçam o que será a Rede, como a série de apresentações que a Orquestra de Câmara de Solistas de Londrina está realizando pela cidade e as edições do MH2L, o Movimento Hip Hop Londrinense, que desde março realiza shows nos mais variados pontos.
Outra proposta é a reformulação da Lei de Incentivo, um dos sustentáculos da produção cultural em Londrina nos últimos anos. A idéia é exigir do proponente uma contrapartida que não será financeira, mas um retorno sócio-cultural para a comunidade. Essa orientação deve nortear a maior parte dos projetos que serão apresentados esse ano, prevê Alvares.
Os projetos serão divididos segundo a sua inserção social, gerando os chamados projetos comunitários. Alguns desses programas podem ter seus editais específicos, o que segue em sintonia com a proposta da Secretaria de convocar mais de um edital por ano para a Lei, o que até agora não foi confirmado.
A terceira proposta de Pellegrini é a de reativar o Conselho Municipal de Cultura, órgão criado pela Lei Municipal 5.007, datada de 13 de maio de 1992 e que tem como objetivo orientar a produção cultural da cidade. O Conselho foi dissolvido na última administração sem maiores explicações, relata Alvares. A proposta é eleger um novo conselho que inclua também representantes comunitários para que os anseios de cada região cheguem à Secretaria. Os detalhes sobre essas mudanças só serão revelados no próximo dia 3 de agosto, quando Pellegrini irá divulgar à imprensa as propostas da Conferência.


