'Política cultural deve ser um processo coletivo'
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

Um dos responsáveis por incluir Londrina na rota das produções cinematográficas nacionais, o jornalista e cineasta Caio Julio Cesario assumiu na semana passada um novo e grande desafio em sua carreira. O londrinense é o mais novo secretário municipal de Cultura. Administrar os recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), garantir a manutenção dos equipamentos culturais da cidade e fomentar as atividades da área em meio à crise econômica que tem restringido os gastos públicos estão entre as demandas de sua gestão.
A ampla experiência como gestor cultural foi apontada pelo prefeito Marcelo Belinati como fator determinante para o convite para que o cineasta assumisse a pasta da Cultura. Doutor em Multimeios pelo Instituto de Artes da Unicamp, Caio voltou a Londrina após residir nos últimos anos em Brasília, onde trabalhou em diversos órgãos como a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura,além de ter sido coordenador geral de Comunicação e Circuitos da Programadora Brasil projeto do Ministério da Cultura de difusão do cinema brasileiro.
Produtor de inúmeros filmes, premiados em diversos festivais nacionais e exibidos no exterior, Caio tem ainda experiência docente e em produção acadêmica. Trabalhou como coordenador de Comunicação do Festival Internacional de Televisão 2012. Foi diretor da Kinopus Audiovisual entre 2004 e 2013 e atuou como vice-presidente do Conselho Municipal de Cultura de Londrina, entre outras funções.
Em entrevista à FOLHA por e-mail, o londrinense fala sobre suas metas como secretário municipal de Cultura.
Quais desafios você enfrentará à frente da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina?
Nos últimos anos me capacitei como gestor cultural. E recebi agora do prefeito Marcelo Belinati uma missão: fazer a diferença, trabalhar para a democratização da cultura, fazendo-a chegar também àqueles que mais necessitam e torná-la instrumento de inclusão social. Esse é norte desta gestão.
O Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) está completando 15 anos em 2017. Você o considera um bom modelo de gestão cultural?
O Promic é uma das principais políticas públicas de fomento à cultura no país. O seu tempo de existência e os resultados alcançados comprovam essa tese. No entanto, a cultura é dinâmica e os instrumentos de política pública precisam ser continuamente atualizados. Entendemos que é necessário e cabe melhoria, é o que pretendemos fazer com a participação da sociedade e, em especial, do Conselho Municipal de Política Cultural.

O orçamento destinado à Cultura através do Fundo Especial de Incentivo a Projetos Culturais Feproc - em Londrina não estabelece um percentual para o repasse orçamentário, que muda a cada nova gestão. Acha que deveria haver um orçamento fixo para a pasta?
É preciso considerar o grande desafio que as contas públicas representam no momento. O orçamento da Prefeitura de Londrina conta com um déficit em torno de 150 milhões de reais. Enquanto estruturas de Cultura estão sendo cortadas por administradores públicos, em Londrina, o prefeito Marcelo Belinati manteve a Secretaria Municipal de Cultura e, assim, todo o sistema municipal de cultura. É preciso reconhecer que isto é resultado da sensibilidade do prefeito em relação ao tema e também da organização e amadurecimento do movimento cultural da cidade. Então, o desafio posto num primeiro momento é garantir que o orçamento previsto para o Promic seja executado. E, à frente, empenhar esforços para ampliar o volume de recursos na pasta da Cultura.
Londrina possui importantes equipamentos culturais, como os edifícios projetados pelo arquiteto Vilanova Artigas. Quais são suas metas em relação a esses equipamentos culturais, entre eles o prédio do Museu de Arte, que está necessitando de uma reforma urgente?
Esses prédios possuem a sua relevância histórica e arquitetônica reconhecida pela sociedade londrinense. A gestão anterior de forma competente entregou essa importante obra para a cidade, que é a restauração da Casa da Criança. Cabe enfrentar os desafios e buscar alternativas para a manutenção e melhoria dos equipamentos. São patrimônios da cidade.

Você vem da área audiovisual, um setor que enfrentou muitos desafios até conseguir se destacar no cenário nacional. André Sturm, novo secretário municipal de Cultura de São Paulo, também atua na mesma área. Acha que as lutas travadas pelo pessoal de cinema e audiovisual para vencer as diversas dificuldades ajudaram a formar bons gestores?
O cinema brasileiro, de fato, obteve conquistas significativas nos últimos 25 anos. O significativo aumento dos instrumentos de financiamento do setor do cinema e do audiovisual tornaram a realização de projetos da área mais complexos, requerendo capacitação e qualificação do processo de gestão, tanto dos agentes privados quanto dos agentes públicos. Acredito que esse cenário provocou e contribuiu para o surgimento de novos gestores de política pública no campo da cultura.

O cargo de secretário municipal exige além condições técnicas um bom trânsito político. Como você pretende se movimentar dentro desta perspectiva?
A política está no dia a dia. Sou um gestor cultural, me vejo como um técnico. A minha trajetória me trouxe de volta a Londrina. Nunca fui filiado a partido político, no entanto, sempre fui muito bem recebido no meio. Acredito que o trânsito se dá por bons projetos que atendam demandas da cidade. Esperamos ter a colaboração dos parlamentares para realizarmos o trabalho de modo conjunto, pois serão de muita importância para buscarmos recursos para Londrina. O desenvolvimento da política pública deve ser um processo coletivo. O objetivo é trabalhar pela cidade, por uma Londrina com a qualidade de vida melhor. E a cultura tem um papel fundamental neste processo.


