Curitiba – A Fundação Cultural de Curitiba termina o ano de 2006 comemorando uma economia de 28,6% em seu orçamento em relação ao ano anterior. Economia que não refletiu no corte da programação, conforme garante o presidente da FCC, Paulino Viapiana, mas que foi resultado de uma gestão calcada em planejamento. Viapiana ressalta que o ano que está terminando foi um período de consolidação, o que resultou em algumas conquistas para FCC, apesar da lei mais esperada – a Lei Municipal de Incentivo à Cultura – não ter lançado nenhum edital. A ausência de projetos com recursos financiados a partir da renúncia fiscal aconteceu por questões burocráticas, mas preencher essa lacuna, conforme explica Viapiana – está entre as metas para 2007.
  O edital da lei, que agora atende pelo nome de Programa de Apoio e Iniciativa à Cultura, deve ser lançado ainda em janeiro, dando oportunidade para artistas de todas as áreas inscreverem seus projetos. Desde 2004, quando Viapiana assumiu a gestão da FCC, a lei passa por reformulação e não aprovou nenhum novo trabalho. Primeiro foi preciso zerar uma fila de mais de 700 projetos que ainda estavam sem análise e depois foi necessário um pente fino legal para tentar adequar alguns quesitos ultrapassados nos artigos da lei.
  Mas tirar do papel a nova lei municipal de incentivo à cultura não é a única meta para 2007. Em entrevista à Folha2, Viapiana fala das parcerias com a iniciativa privada, que começaram a acontecer em 2006 fruto da ‘‘credibilidade que a FCC recuperou’’, conforme ele salienta. Se nesse ano uma dessas parcerias rendeu a reforma do espaço cultural do Parque Barigüi, hoje transformado em Casa da Leitura, para o próximo ano, os vôos previstos são mais altos. Como o que prevê a reforma do antigo Paço Municipal, na Praça Generoso Marques. Abandonado, o prédio que já abrigou o Museu Paranaense e que tem graves problemas estruturais, vai ganhar uma completa reestruturação e, em parceria com o SESC deve se transformar num Centro Cultural. A reforma tem previsão de conclusão em dois anos.
  A Cinemateca de Curitiba também vai ganhar investimento de R$ 1 milhão para melhorar a qualidade do som das exibições e também a estrutura. Outra mudança que Viapiana ressalta é a reforma do Centro de Criatividade do Parque São Lourenço. A novidade é que o espaço vai ganhar uma escola de criação publicitária, em parceria com o Clube de Criação do Paraná. Já o Teatro Cleon Jacques vai ganhar banheiros e reforma no espaço. ‘‘Todo o Parque São Lourenço vai ganhar melhorias que serão apresentadas à população já no início de 2007’’, avisa Viapiana.
  Todas essas mudanças não devem consumir um orçamento anual muito maior do que o que já está sendo praticado há dois anos pela FCC: em torno de R$ 21 milhões. ‘‘Estamos conseguindo economizar em supérfluos, como viagens de avião e contas telefônicas para aplicar em questões mais importantes, como melhorias dos espaços culturais’’, explica o presidente da FCC.
  Quanto à possível mudança de gestão da Secretaria de Estado da Cultural, Viapiana ressalta que a alteração não deve afetar em nada a programação da FCC. ‘‘Temos um acordo implícito com a secretaria, que não tem recursos para investir em Curitiba. O Estado investe no interior e nós na capital. Acho que isso funciona bem’’. conclui.

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