POLÍTICA CULTURAL - Seminário do MinC põe Londrina na rota do debate
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segunda-feira, 21 de julho de 2003
Ana Setti Rosa<br> Reportagem Local 
A quarta etapa do seminário ''Cultura para Todos'', organizado pelo Ministério da Cultura (MinC) para debater as questões relacionadas ao financiamento público da cultura, foi realizada no último sábado, em Londrina. Reunindo cerca de 300 pessoas, entre artistas, produtores, patrocinadores, empresários e dirigentes culturais das esferas federal, estadual e municipal, o seminário contou com a participação do prefeito Nedson Micheleti, que fez a abertura oficial do evento. Para o prefeito, no debate que vem sendo proposto pelo MinC nas várias regiões do país é importante que ''a cultura seja entendida como uma política pública, que envolva a comunidade e evite a concentração de recursos e a elitização''. Nesse sentido, ''a experiência de Londrina pode servir como referência''.
O seminário, que prossegue ainda por sete capitais, incluindo Curitiba, no próximo dia 25, será concluído com uma teleconferência de âmbito nacional, no fim do mês de agosto, que contará com a participação do ministro Gilberto Gil. Em todas as etapas, de acordo com o chefe de gabinete do Minc, Sérgio Xavier, que representou o ministro em Londrina, a idéia é concentrar os debates em torno de três grandes ''eixos'' de interesse: ''a democratização do acesso aos recursos; a descentralização dos investimentos em cultura; e a transparência do processo''. Uma das grandes distorções da atual política de financiamento da cultura, segundo Xavier, está no fato de que ''o dinheiro é público, mas quem o disponibiliza para os produtores culturais, via lei de incentivos, são as empresas, guiadas por seus interesses de marketing''. Para Tereza Cristina Rocha, técnica da Secretaria de Música do Minc, também presente ao seminário em Londrina, ''existe uma atrofia na atual política cultural do país, uma vez que dos mecanismos básicos de incentivo disponíveis, apenas o do patrocínio se consolidou, transformando-se em ''o'' instrumento de viabilização da cultura''. Nessa perspectiva, as leis - Rouanet e do Audiovisual - acabaram se tornando ''a própria política cultural''.
Como afirma Zulu Araújo, diretor da Fundação Palmares, que também veio a Londrina no sábado, frente a essas distorções, ''é preciso debater como democratizar e desconcentrar o financiamento público da cultura no Brasil''. Numa outra vertente, é necessário igualmente, de acordo com Sérgio Xavier, ''valorizar a diversidade cultural brasileira, maior mesmo que a dos Estados Unidos e, assim como fizeram os norte-americanos, transformar essa diversidade em valor econômico, potencializando essa nossa riqueza no mundo globalizado''.
Em meio às discussões do seminário, Londrina de fato se destaca como uma referência, pelo menos na opinião de um do atentos participantes do evento. Para André Guimarães, 18 anos, que há 1 ano atua no Conselho Municipal de Cultura, representando a zona Norte, ''a cidade está bem avançada em sua política cultural'', como comprovam ''a descentralização da cultura, via Rede da Cidadania; a criação do Fundo Municipal de Cultura e a constituição de Conselhos Regionais, seis ao todo, incluindo um na zona rural''. Como integrante de um dos Conselhos, ele se sente à vontade para ajudar a cidade ''a decidir onde e como aplicar os recursos destinados à cultura, a cooperar na nomeação da grande maioria dos integrantes da Comissão de Avaliação de projetos culturais, e a referendar todas as atividades culturais programadas''. Esse tipo de política cultural, imagina André, ''poderia mesmo se tornar um modelo para outras regiões do país''.
Serviço:
- Mais informações sobre os próximos seminários e teleconferência nacional podem ser obtidas no site: www.cultura.gov.br
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