POLÍTICA CULTURAL - 'Pobres' do cinema polarizam discussão sobre a Ancinav
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de outubro de 2004
Silvana Arantes<br> Folhapress 
''Os 18 do PIB contra o cinema dos pobres.'' O debate sobre o projeto do Ministério da Cultura para criar a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav) se polarizou e ganhou título parecido com filme de Glauber Rocha (''O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro'', 69).
O nome da ''luta'' surgiu nas listas de discussão de produtores e cineastas na internet, em que os ''pobres'' do cinema identificam os 18 do PIB (Produto Interno Bruto) como ''o grupo ligado à TV Globo, encabeçado por Luis Carlos Barreto''.
Barreto coordenou uma revisão do projeto do MinC, feita por um grupo de profissionais de cinema e TV, entre os quais o diretor da Globo Filmes, Carlos Eduardo Rodrigues. O texto de Barreto, chamado internamente no grupo de ''emendão'', foi enviado ao MinC na consulta pública do projeto da Ancinav, pela internet.
O ministério pretende divulgar todas as sugestões recebidas (cerca de 400) na próxima segunda. Mas já se sabe que a versão entregue por Barreto subtrai da Ancinav a atribuição de regular e fiscalizar setores do audiovisual além do cinema, como a TV.
A divulgação da proposta de Barreto (pelo site ''PayTV'', o mesmo que vazou em agosto o projeto da Ancinav) suscitou mobilização de produtores e cineastas (ou dos ''pobres'' do cinema) em defesa do projeto do MinC.
Anteontem, entidades como a Associação Paulista de Cineastas e diretores como Walter Lima Jr., Eduardo Escorel e Alain Fresnot divulgaram uma ''declaração pública'' em que afirmam: ''As normas que compõem o anteprojeto devem tratar de maneira isonômica os diversos segmentos do audiovisual, inclusive as prestadoras de serviços de radiodifusão de sons e imagens (TVs)''.
O cineasta Geraldo Moraes, que preside o Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), encabeça as assinaturas da declaração. O CBC não assina o documento. Entre as 54 entidades abrigadas no congresso, há opositores ferrenhos do projeto do MinC, como as associações de exibidores, afetadas pela previsão de taxar a venda de ingressos de cinema (10%).
Moraes disse que a declaração não é uma reação à proposta de Barreto. ''É muito mais uma resposta ao fato de que a opinião pública está recebendo uma cobertura parcial (pela imprensa). Toda divulgação é das posições contrárias ao projeto''.


