POLÍTICA CULTURAL - Grassi participa de encontro no Paraná
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sexta-feira, 07 de novembro de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quando assumiu a Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, no ano passado, o ator Antonio Grassi, hoje presidente da Fundação Nacional de Arte (Funarte), viveu uma situação curiosa. Foi à Secretaria de Estado da Fazenda de lá para pedir a solicitação do pagamento, que estava atrasado, para apresentação do balé do Teatro Municipal da cidade. Encontrou na mesma ante-sala, o secretário de Segurança e o secretário da Educação, o primeiro pedindo munição para as armas da Polícia Militar do Rio de Janeiro e o segundo pedindo verba para comprar merenda escolar. Ambos perguntaram a Grassi o que ele estava fazendo ali. ''Simplesmente fiquei com vergonha de responder. Mas hoje sei que a cultura não pode competir com outras áreas. É uma disputa desigual'', disse.
Grassi, que acumula o cargo de presidente da Funarte com o papel de Reginaldo na novela ''Chocolate com Pimenta'', exibida pela Rede Globo, esteve ontem em Curitiba para participar do Encontro de Secretários Municipais de Cultura, que aconteceu quarta e quinta-feira no Museu Oscar Niemeyer (MON). Representantes de mais de 200 municípios paranaenses compareceram para discutir a importância da cultura não só no Paraná, mas no País.
Por isso, Grassi veio ao Paraná representando o Ministério da Cultura, já que a Funarte é o principal órgão desse ministério. Para ele, encontros semelhantes servem não só para divulgar as políticas públicas de cultura, mas também para discutir a importância da integração das ações culturais.
''Nosso objetivo é trabalhar as ações municipais e estaduais de forma integrada'', disse Grassi. Mas uma das discussões mais esperadas na área, referente às leis de incentivo cultural, ainda vai ter que esperar solução. Grassi adiantou que o Ministério da Cultura ainda está fazendo uma análise dos seminários que promoveu no primeiro semestre em algumas capitais e cidades brasileiras (incluindo Curitiba e Londrina), antes de divulgar possíveis mudanças.
No Paraná, a discussão deve ir ainda mais longe, já que ainda não foi definido uma solução para a Lei Estadual de Cultura, que saiu do papel apenas para aprovar alguns projetos cujo financiamento ainda estão indefinidos. Para tentar mudar essa situação, a secretária de Estado da Cultura, Vera Mussi, também tem promovido discussões.
A única definição concreta aconteceu anteontem, quando a Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, Comunicação e Esporte, composta por 54 senadores, aprovou, em Brasília, a proposta de emenda referente à excepcionalidade da cultura na reforma tributária. A proposta foi apresentada pelos membros da executiva do Fórum Nacional de Dirigentes Estaduais da Cultura, em que a secretária de Estado da Cultura representa o Sul do País.
Para Vera, a cultura deve ser entendida como uma grande fonte de geração de empregos e não só como vitrine. ''Todos os estados estão empenhados que a excepcionalidade seja aberta à cultura'', disse.
Quanto ao encontro realizado nos dois últimos dias, a secretária ressaltou que o objetivo é fomentar a produção cultural de forma descentralizada. ''Como o Ministério da Cultura, queremos a cultura direcionada e priorizando o público, por isso, formulamos políticas públicas'', concluiu.


