A poligamia é um dos assuntos delicados entre islâmicos. Os textos do Alcorão permitem a um homem casar-se com até quatro mulheres (o profeta pôde superar esse limite). Alguns teólogos lembram que quando a permissão foi concedida, havia muitas viúvas e órfãos devido às guerras, pois era difícil para a mulher sobreviver sem marido e sem os parentes homens.
O limite de quatro casamentos também é considerado um avanço por estudiosos da religião, haja vista que no período pré-islâmico não existia barreira para os casamentos. O ponto de partida desse debate está nas condições para obter tal consentimento: o homem deve, obrigatoriamente, dar um tratamento igual, incluindo o amor, para todas suas esposas.
Natural do Líbano, Leila Almad Darouiche, 30 anos, reside em Foz do Iguaçu há quatro anos e tem uma filha de oito meses. Casada há três anos com um muçulmano, ela é professora da Escola Árabe-Brasileira, que funciona em anexo à Mesquita ''Omar Ibn Khatab''. Vestida com o hijab, demonstra uma clara opinião sobre o assunto.
Vamos dizer que um homem fique com mil mulheres. Como ele vai amar mil mulheres? Como se fosse possível medir o amor. É difícil controlar esses sentimentos. Então, acho que nenhum homem no mundo deveria ter mais de uma mulher. O Alcorão fala que o homem pode ter mais de uma mulher se tratar e amar todas de forma igual. Se isso acontecer...
Moradora de Foz do Iguaçu desde 1994, Rabha Melhem, 31 anos, tem três filhos (um menino de dez anos, uma menina de sete anos e um menino de cinco anos). Colega de Leila na instituição educacional e professora do primário, mostra objetividade quando fala do assunto. Questionada se não ficaria chateada ao ver o marido com outra mulher, responde:
É claro, eu fico. Se não tem nada errado comigo, não é justo meu marido se casar com outra mulher. Mas se, por exemplo, eu não puder ter filhos, e se ele acha isso uma coisa não muita boa, então ele pode casar. Mas se eu estiver feliz com ele, por que ele se casará com outra mulher?, questiona.
Nascida em Colorado, no norte do Paraná, Cabura Issa, 47 anos, é ainda mais contundente: ''Se meu marido está comigo, eu não admito ele estar com outra. O homem pode ficar com outra se a mulher permitir, se ela não pode dar um filho para ele'', afirma a muçulmana, residente há 14 anos na tríplice fronteira.

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