Policial de primeira linha
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de abril de 1999
Estelio Feldman 
Depois do detetive David Robichaux (de Perversão na Cidade do Jazz) que frequenta o AA para fugir ao alcoolismo, temos agora a detetive que, nos momentos de depressão, fuma maconha. Nada demais, apenas os novos tempos da literatura policial que renasce numa época em que o detetive particular parece um personagem anacrônico.
Não é, conforme nos mostra a inglesa Sarah Dunant com sua detetive Hannah Wolfe (sem parentesco, naturalmente, com aquele fantástico Nero Wolfe, mas sem dúvida ouro do mesmo filão). As inglesas, vocês sabem, têm uma tradição como autoras de livros policiais. Dignas sucessoras de Agatha Christie, elas mantêm o vigor. Há muitas e sempre surgem novas. Sarah Dunant cria um personagem atraente com uma narrativa na primeira pessoa que acaba criando uma verdadeira cumplicidade entre a detetive e o leitor. Hannah Wolfe deixa de ser uma criação literária para se converter em uma pessoa inteira, complexa (como todos nós) e que busca a verdade em uma complicada investigação que começa com o desaparecimento de uma jovem bailarina e se torna, depois, um mistério quando a moça desaparecida aparece, morta, afogada.
Este é o tema de Marcas de Nascença, romance que foi lançado, originalmente, em 1991, mas que só aparece entre nós, agora, na Coleção Negra da Editora Record. Um digno exemplar em uma coleção que tem apresentado bons autores e excelentes histórias.
Acompanhar a trajetória de Hannah Wolfe em sua investigação é uma aventura atraente e divertida, inclusive com lances de suspense, mistério e ação, não faltando, claro, o final inesperado.
As pessoas me perguntam quanto tempo eu levo para ler um livro. Se é ágil, divertido e atraente como Marcas de Nascença, leio rapidinho. Depois, fico com pena, com saudade de Hannah Wolf e esperando que a Editora Record cumpra logo a promessa de lançar Sob minha pele, mais uma aventura da curiosa e inteligente detetive britânica.


