Policial com uma dose de suspense
Jackeline Seglin
De Londrina
Uma Simples Formalidade é o nome do espetáculo que a Cia. Independente de Teatro estréia hoje, em Londrina. Peça foi adaptada de filme homônimo de Giuseppe Tornatore
Um duelo psicológico permeado por suspeitas e contradições acirra o clima de suspense de Uma Simples Formalidade, uma adaptação do filme homônimo do italiano Giuseppe Tornatore, que será levada ao palco pela Cia. Independente de Teatro. A estréia do novo espetáculo da trupe acontece hoje, às 21 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, em Londrina, e segue em temporada durante todo o mês de agosto.
O diretor Wagner Donadio de Souza explica que o espetáculo traz questionamentos sobre a vida e a morte. A Cia. Independente continua a retratar em suas peças a preocupação com o homem, seus sentimentos e sua trajetória neste mundo, diz. Em Uma Simples Formalidade, Souza procurou mostrar uma viagem do homem dentro de si mesmo e em outra dimensão.
A história desta montagem começa em uma noite de chuva, quando um homem é preso ao ser encontrado, sem seus documentos, correndo por um bosque. Levado a uma delegacia, ele se identifica como Onof, um famoso escritor. O difícil é convencer o comissário dessa verdade.
Sem saber que motivo o levou a ser detido, Onof descobre que é suspeito de um crime. Perturbado, ele não consegue se lembrar de nada do que aconteceu antes de ser levado para a delegacia. É durante o interrogatório que Onof vai tomando consciência de sua verdadeira situação e dos acontecimentos da noite anterior. O espetáculo é um policial, com boa dose de suspense, no qual a platéia junta as peças de um quebra-cabeça, antecipa. A montagem tem uma hora de duração.
Responsável pela adaptação do texto, o diretor explica que realizou mudanças da linguagem de cinema para o teatro. Ele também cortou diálogos e cenas consideradas desnecessárias na linguagem teatral e incluiu salmos bíblicos, complementando o trabalho com alguns elementos próprios de direção. Comecei a colocar o filme dentro do cenário. Resgatei, por exemplo, a delegacia velha, na qual chove o tempo todo - são nove goteiras no palco, pingando insistentemente em baldes. Esse elemento, segundo Souza, remete ao aspecto mofado e úmido de um lugar onde o sol não brilha.
Wagner Souza observa que trabalhou um cenário sóbrio, que em conjunto com a iluminação e os figurinos (criados por Weber Wanderlei), dá um clima noir ao espetáculo. O diretor diz que Uma Simples Formalidade é uma montagem atemporal, apesar de ter sido modernizada. O contraste entre o novo e o velho é explicitado através das luminárias, persianas e cadeiras modernas colocadas lado a lado com um armário e uma mesa de aspecto antigo e repugnante. É uma compilação de elementos. Coisas novas e velhas que se misturam no figurino e no cenário, define.
A trilha sonora, também preparada pelo diretor, traz inserções da música Summertime na voz de Janis Joplin. A principal característica deste espetáculo é a linha de direção, centrada no trabalho de ator e na criação de personagens aprimoradas.
O elenco é encabeçado por Donizetti Buganza no papel de Onof e Carla Diacov como o Comissário, personagens vividas no filme por Gérard Depardieu e Roman Polanski, respectivamente. Também entram em cena os atores Paulo Munhoz (André), Carolina Canchioli (moça), Rick Dorth (guarda 1) e Flávia Caetano (guarda 2). A escolha do elenco foi feita de forma inédita na história da companhia: Wagner Souza realizou um teste para selecionar os seis componentes.
Uma Simples Formalidade, adaptação do filme homônimo de Giuseppe Tornatore. Com a Cia. Independente de Teatro. Em agosto, temporada de quinta-feira a domingo, às 21 horas, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 113). Direção, adaptação e iluminação: Wagner Donadio de Souza. Figurinos: Weber Wanderlei. Operador de som: Sandro Tafliari. Operadora de luz: Mary Ellen Vieira. Ingressos a R$ 10,00 (R$ 5,00 antecipados, estudantes e pessoas da terceira idade).





