Policial cheio de bossa
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de dezembro de 2001
Marcos Losnak<br>De Londrina 
Luiz Alfredo Garcia-Roza é um dos escritores em franca ascensão na atual literatura brasileira. Após publicar vários livros teóricos sobre psicanálise e filosofia, entrou com o pé direito na ficção em 1997 com o romance ''O Silêncio da Chuva''. A obra recebeu dois prêmios, o Jabuti e o Nestlé.
Nascido no Rio de Janeiro em 1936, Garcia-Roza percorreu uma sólida carreira universitária aposentando-se como coordenador de pós-graduação em teoria psicanalística da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sempre foi um admirador de romances policiais e, quando optou pela ficção, escolheu o gênero como território ideal para suas histórias. Vieram ''Achados e Perdidos'' (1998) e ''Vento Sudoeste'' (1999), que conquistaram um amplo leque de leitores e despertaram o interesse de dezenas de editoras a Europa e Estado Unidos.
Agora chega às livrarias sua quarta obra ficcional, ''Uma Janela em Copacabana'' (Editora Companhia das Letras). Trata-se de um policial ambientado no bairro carioca de Copacabana, cujo personagem principal é o delegado Espinosa que tem nas mãos um caso com poucas pistas para solucionar.
Uma série de policiais começa a ser assassinados friamente em situações obscuras. Os mortos possuem alguns pontos de semelhança. Os policiais mortos possuem uma atuação medíocre em suas áreas de trabalho, são casados mas possuem amantes e bens muito acima do que o salário permite comprar.
O delegado Espinosa vai desvendando o caso com personagens até então ocultos oferecendo subsídios para a interpretação dos fatos. A maioria mulheres. Existe uma delas que chegou a presenciar um dos assassinatos da janela de seu apartamento uma alusão direta ao filme ''Janela Indiscreta'' de Alfred Hitchcock.
Em ''Uma Janela em Copacabana'' Garcia-Roza coloca um toque de brasilidade numa história que poderia ser ambientada em qualquer grande cidade do mundo. O grande mérito de sua narrativa, dentro do gênero policial, é que a atenção do crime em si é deslocado para a relação entre as personagens. Esse procedimento revela um romance que poderia existir por si mesmo, não apenas como dependente da trama policial. A agilidade das ações e as descrições concisas também auxiliam para que a história contada pelo autor seja fluente e sem escarpas. Mesmo que aponte inicialmente para o entretenimento, segue o caminho da elegância.
Serviço: ''Uma Janela em Copacana'', de Luiz Alfredo Garcia-Roza, Editora Companhia das Letras, 222 páginas, R$ 22,00.


