Policial à brasileira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2002
Rodrigo Souza Grota<br>Reportagem Local 
O cinema brasileiro sempre conseguiu êxitos de bilheteria quando se arriscou a narrativas de aventuras. Bons exemplos se encontram em O Cangaceiro, de Lima Barreto; O Assalto ao Trem Pagador, de Roberto Farias e Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, filmes que fundamentalmente se envolvem em tramas de ação e não dispensam a dramaticidade tão própria das grandes obras. Bufo & Spallanzani (BRA, 2001), de Flávio R. Tambellini, segue esse mesmo percurso ao adaptar obra homônima de Rubem Fonseca.
Sempre amparado pela consolidada narrativa policial americana, os filmes de ação brasileiros resguardam muitas das peculiaridades dos cânones estabelecidos pelos filmes de gângster e pelo gênero noir. Regras básicas como - a presença de um herói chamado a uma aventura fora de sua estabiliade, provações supremas e a posterior redenção - são sempre respeitadas. Em Bufo & Spallanzani não é diferente. Tambellini, em seu filme de estréia, mostra a trajetória de Ivan Canabrava (José Mayer), que passa por diversas transformações após aceitar um novo emprego.
O roteiro, co-escrito pelo autor Fonseca, Tambellini e pela escritora policial Patrícia Melo, representa um certo filão do cinema brasileiro que tem o diálogo com o público como objetivo maior. E isso não pode ser recriminado, já que toda cinematografia deve reservar espaço para um cinema de entretenimento. O resultado é positivo, já que tanto o aspecto técnico do filme (a fotografia de Breno Silveira, a música de Dado Villa-Lobos e a montagem de Sérgio Mekler) como sua dramaticidade contribuem para a construção de uma ponte entre o filme e o público muito bem estruturada. Mayer, que já havia se destacado em personagens similares na série da TV Globo Agosto (também baseada em Fonseca) e em Perfume de Gardênia, de Guilherme de Almeida Prado, comprova que não há melhor intérprete que possa expressar todos os tormentos do universo fonsequiano em tão poucas palavras.
Lançamento: Warner. Duração: 96 minutos.
Clássicos como a cartilha manda
Existem filmes de Hollywood que têm toda a estrutura que um autêntico clássico exige: bela fotografia em preto-e-branco, diálogos sofisticados, duas estrelas como protagonistas e um bom diretor que não nos permite perceber a movimentação da câmera. Esse é o caso perfeito de Teu Nome É Mulher (Designing Woman, EUA, 1957), nunca lançado no mercado de vídeo brasileiro, e agora disponibilizado no formato digital.
O filme integra uma série de belas produções que Vincent Minnelli fez para a Metro nos anos 50, incluindo o musical Sinfonia em Paris e o drama Assim Estava Escrito, ambos já disponíveis em DVD no Brasil. Teu Nome é Mulher reúne ingredientes desses dois clássicos, tornando-se uma bela comédia musical estrelada por Gregory Peck e Lauren Bacall.
O roteiro do oscarizado George Wells mostra os desencontros de um casal que não se conhece muito bem. Peck é Mike Hagen, jornalista esportivo que acaba de retornar de um torneio de golfe que cobriu. Bacall faz uma estilista de modas que não entende a falta de regras sociais tão comum ao seu marido. Enfim, uma típica comédia de costumes, mas que ganha outros ares com as composições inspiradas de André Previn e com os números musicais de Jack Cole. A fotografia em cinemascope pode ser conferida em todo o seu esplendor no DVD, já que ele permite o formato da tela retangular que essa lente ampliada e de melhor qualidade visual exige. Não fosse por isso, os extras oferecem o trailer original do filme, além de uma entrevista especial com Helen Rose, a responsável por ter convencido a Metro a ter realizado o filme. Teu Nome é Mulher é cinema clássico, muito bem produzido, e que alia um entretenimento sofisticado que agrada a todos: crítica e público.
Lançamento: Warner. Duração: 118 minutos.


