Há muito tempo a teledramaturgia é um ramo consolidado dentro da indústria da tevê. Hoje, é difícil imaginar uma grade televisiva sem novelas, séries e seriados. No entanto, alguns gêneros sofrem com uma sazonalidade das safras. Depois de um longo período fora da lista das prioridades das emissoras, as tramas policiais voltaram com tudo e têm cada vez mais espaço garantido dentro da dramaturgia.
Recém-estreada, "O Caçador" vem cumprindo essa lacuna na grade da Globo, após os espaços deixados por "A Teia" e "Amores Roubados". A série tem a direção de José Alvarenga Jr, grande entusiasta do gênero e responsável também por "Força-Tarefa", um dos sucessos desse tipo de produção e que teve três temporadas, a última exibida pela Globo em 2011. "O problema das séries policiais começa na idealização. É preciso ter um bom motivo para se produzir", justifica Alvarenga.
A Record também faz grandes apostas para o gênero em 2014. "Conselho Tutelar" e a segunda temporada de "A Lei e O Crime" serão veiculadas este ano, apesar de nenhuma ter data de estreia definida. "Vamos contar o dia a dia de dois conselheiros tutelares que lutam contra a violência infantil", explica Gustavo Vidal, autor de "Conselho Tutelar". Já para Fernando Bonassi, um dos autores de "Força-Tarefa", o tema tem motivos para não ser recorrente na tevê. "Não é questão de sair de moda ou não. Há épocas em que o assunto está mais evidente, quer pela criatividade dos artistas, quer porque a realidade 'pede'", reflete Bonassi.
No entanto, as produções policialescas da tevê aberta não são exatamente uma novidade. O que mudou, na verdade, foi a forma de produzi-las. Em "Bandidos da Falange", minissérie da Globo exibida em 1982, o autor Aguinaldo Silva usou sua experiência de dez anos como repórter policial para contar as histórias de violência e tensão. E o tema foi desenrolado em outros projetos como "Quem Ama Não Mata", de 1985, "Labirinto", de 1998, "As Noivas de Copacabana", de 1992, e várias outras. "Em 'Bandidos da Falange', abordamos a criminalidade de um jeito inédito na tevê. Hoje, o assunto já está mais batido", argumenta Aguinaldo. As produções mais recentes, como "Cidade dos Homens", mudaram a forma de contar essas histórias. "'Cidade de Deus' contribuiu para 'despertar' os produtores desse gênero", opina Marcílio Moraes, autor de "A Lei e O Crime". Com a proximidade da linguagem cinematográfica, a estética das séries se modificou, tornando-se uma mistura do antigo com o novo. A agilidade proposta pela direção, com câmaras na mão, que dá a sensação de estar acompanhando a cena como um observador, trouxe uma aproximação entre o gênero e o telespectador. "Existe uma preocupação grande acerca do roteiro também. Para não fazer nada mais ou menos, leva-se muito tempo tratando o roteiro", defende José Alvarenga Jr.

Orçamento
Por causa desse encontro, entre uma linguagem televisiva e cinematográfica, as tramas policiais se deparam com mais dificuldades na hora de ser produzidas. "É mais complicado arranjar locações, lugares e cenários para, por exemplo, fazer uma cena de perseguição", afirma Rogério Gomes, responsável por dirigir "A Teia". A falta de cenografia no caso desse tipo de produção deveria baratear o custo delas, já que as gravações dificilmente são feitas dentro de estúdio. No entanto, nesse caso, o difícil é respeitar os limites do orçamento com tantas viagens, explosões, tiros e perseguições. "Encaixar uma trama mirabolante em um orçamento de tevê é uma das tarefas mais complicadas. E, ao mesmo tempo, é a parte mais importante da história. Não adianta ter mil efeitos especiais e grana à vontade se o conteúdo for pífio", argumenta Alvarenga. Para Marcílio Moraes, que já adianta a segunda temporada de "A Lei e O Crime" para a Record, é preciso saber gerenciar os recursos financeiros para contar uma boa história. "Desta vez, quero focar em duas cidades. Quero que as tramas percorram o eixo Rio-São Paulo", diz o autor, também responsável pela mal aproveitada "Fora de Controle", exibida em 2012.

Nas novelas
Apesar de ter mais representatividade nas séries, as tramas policiais também têm espaço nas novelas. Um ícone do gênero é "A Próxima Vítima", de Silvio de Abreu. Já na Record, o gênero encontra mais espaço. "Poder Paralelo", de 2009, e "Vidas Opostas", exibida em 2006, são as maiores representantes do estilo na emissora. Até a atual "Pecado Mortal", de Carlos Lombardi, tem uma pegada que se aproxima da agilidade policialesca. "Estar em uma novela, que é uma trama aberta, já é muito surpreendente. Mas obras como 'A Próxima Vítima' surpreendem até o elenco", garante Susana Vieira, que interpretou a protagonista Ana na novela de Silvio de Abreu.

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