‘‘Policarpo Quaresma - Herói do Brasil’’, de Paulo Thiago, com Paulo José, Giulia Gam e Ilya São Paulo encabeçando um elenco que traz participações de Aracy Balabanian, Othon Bastos, Marcélia Cartaxo e Cláudio Mamberti, abre o Fest Cine Vídeo de Curitiba, dia 30, às 21h, na Sala G do Estação Plaza Show. A sessão oficial está marcada para meia hora antes. No dia seguinte - feriado de 1º de maio - o diretor Paulo Thiago participa de um debate no auditório da Aliança Francesa, ao meio-dia.
O filme tomou por base o romance de Lima Barreto, escritor maldito que terminou seus dias num hospício, a exemplo do anti-herói que ele criou possivelmente como seu alter ego. Muito daquilo que o romancista insistia em ver realizado foi parar nas palavras e nas ações de Policarpo. O cinema incumbiu-se de levar o personagem à tela.
Paulo Thiago conta que o maior desafio encontrado pela direção foi dosar o tom de farsa com a narrativa repleta de temas e situações profundas e sérias. ‘‘Meu desejo é que as pessoas vejam Policarpo com um sorriso nos lábios, divertindo-se, não necessariamente às gargalhadas como nas comédias, mas possuídos pelo leve humor crítico que faz rir e pensar’’, declarou.
Pela característica da linguagem farsesca, o trabalho exigiria muito dos atores. ‘‘É um filme de intérpretes. Eles teriam de criar personagens densos, mas também ridículos, patéticos, sem ser caricatos’’, contou Thiago. Daí o cuidado na escolha dos atores: Paulo José no papel-título, Giulia Gam vivendo a fidelíssima afilhada Olga e Ilya São Paulo, o Ricardo Coração dos Outros que faz a narração.
‘‘Graças a Deus, há no Brasil atores como eles e todos os outros maravilhosos intérpretes com os quais tive a honra de trabalhar nesse filme’’, elogiou o diretor. Paulo José, que desde ‘‘Macunaíma’’ tinha desejos de viver Policarpo, foi fundo no personagem - chegou a estudar tupi-guarani para tornar-se ainda mais fiel ao brasileiro idealista criado pelo escritor.
‘‘Quando fiz o filme, parei todo o resto’’, contou. Deixou de lado a televisão, locução, direção de comerciais e tudo o mais. Foram quatro meses de filmagens. ‘‘Fiz o melhor que pude’’, confessou o ator. ‘‘Se não tiver ficado bom, é o meu limite. E fiz com toda a paixão.’’ (Z.C.L.)

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