Polêmica renovada
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quinta-feira, 02 de maio de 2002
Roberta Brasil<BR>TV Press 
Com 45 anos de jornalismo, Bóris Casoy não exagera ao dizer que já fez de tudo na profissão. Por isso mesmo, admite ter pensado ultimamente em reduzir o ritmo de trabalho para dedicar-se a um sonho antigo: estudar Veterinária. Mas não será desta vez que o reino animal roubará o polêmico âncora do Jornal da Record. Embora sondado por outras emissoras e tentado a desenvolver a inusitada vocação, Bóris fechou contrato por mais quatro anos com a Record. Continua à frente do telejornal diário, carro-chefe da emissora, e do Passando a Limpo, programa de entrevistas que comanda nas noites de domingo. Vi que ainda não é hora de pendurar as chuteiras no jornalismo, resume Bóris atualmente entretido em dominar o novo sistema informatizado na redação.
Em seu novo contrato, ele fez questão de manter a cláusula que lhe dá autonomia plena para abordar qualquer assunto no ar. Minha única censura é meu bom senso, afirma. O mesmo bom senso faz o jornalista considerar justa a investigação do Ministério Público sobre as relações da Globo com bancos e fundações e da Record com a Igreja Universal do Reino de Deus. A iniciativa partiu de uma denúncia sobre a discussão travada entre Bóris e Amauri Soares, atual diretor da Globo Internacional em Nova York, no Encontro Internacional de Televisão, realizado no Rio de Janeiro, no ano passado. O debate terminou em acusações mútuas, feitas às duas emissoras, sobre uso de recursos externos. Fui intimado e prestei depoimento por escrito sobre o fato. O importante é que tudo fique esclarecido, pondera.
Você revelou recentemente o desejo de ingressar numa faculdade de Veterinária. Pensou realmente em aposentar-se como jornalista?
Sinceramente, não sei se conseguiria. Mas pensei em reduzir a jornada de trabalho, sim. Tenho muitos outros interesses além do jornalismo e estudar Veterinária é um sonho antigo. Sou um apaixonado pela natureza e tenho profundo respeito pelos animais. Em casa, fora alguns insetos, sou incapaz de matar uma formiga. Mas sei que não daria para conciliar um curso sério de Veterinária com o telejornal. Como acho que ainda tenho o que realizar como jornalista, optei por adiar meus planos. Até o final de 2006, pelo menos, estarei por conta da Record.
Houve alguma modificação no seu contrato?
Basicamente não. Continuo com aquela cláusula que me garante total autonomia para abordar todos os assuntos. As únicas modificações foram, na verdade, uma adaptação aos novos tempos. Agora, a Record tem autorização para usar minha imagem na Internet e na transmissão a cabo para os Estados Unidos e Canadá, o que já vem acontecendo desde dezembro do ano passado. É bom que tudo tenha ficado acertado porque, com eleições a presidência e Copa do Mundo, temos um ano jornalisticamente muito interessante pela frente.
Antes de renovar com a Record, você foi sondado por outras emissoras entre elas o SBT, onde você já trabalhou. Não houve qualquer interesse da sua parte?
Não. De fato, andaram me procurando, mas estou muito satisfeito com a Record. Não pretendia e não pretendo mudar de emissora. Garanto que não houve leilão com o meu nome. Além disso, estou me dedicando integralmente a aprimorar o jornal. Sou um eterno insatisfeito. E, se tenho um produto bom, que posso melhorar ainda mais, não há razão para trocá-lo por outra coisa.
A Record e a Globo estão sob investigação para esclarecer possíveis relações com capital da Igreja Universal e de instituições financeiras, respectivamente. Estas foram denúncias motivadas por uma discussão pública entre você e o Amauri Soares...
Eu já fui intimado e prestei um depoimento por escrito. O que tinha a dizer está na Justiça. Mas acho justo que tudo seja investigado e fique esclarecido perante a lei. O deputado estadual de São Paulo Afanásio Jazadji agiu corretamente ao levar a questão para o Ministério Público, já que teve dúvidas sobre o assunto. Aliás, eu o conheço há muitos anos. Ele foi meu jornalista quando eu era editor-chefe da Folha de S. Paulo, há mais de 20 anos. Agora, sinceramente, não sei se existe algo pessoal contra mim ou o Amauri. Nesse tempo todo, nunca soube de nada.
Com 45 anos de estrada, existe algo que você ainda almeje na carreira?
Já trabalhei em jornal, rádio e televisão e sei que cada mídia tem um sabor diferente. Gostaria muito de fazer um programa de rádio e de voltar à reportagem de jornal impresso. Mas não tenho tempo hábil para tudo isso. E, sinceramente, nem sei são mesmo vontades minhas ou puro saudosismo.


