POLÊMICA - Salão Paranaense passa a ser bienal
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terça-feira, 02 de março de 2004
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Salão Parananese, um dos eventos culturais mais importantes do Estado, passará a ser realizado de dois em dois anos. A decisão de transformar o evento em bienal é da Secretaria de Estado da Cultura e está dividindo a opinião de artistas, uma vez que a 61 edição, que deveria ser realizada neste ano, só deverá ocorrer em 2005.
Para o artista plástico Edilson Viriato, a mudança quebrará o tradicionalismo do evento, que já se consagrou e revelou muitos talentos paranaenses. ''Acho isso uma falta de respeito.'' Segundo Viriato, esta mudança descaracterizará o evento. ''Sou completamente contra essa mudança, mas a favor da revisão de outros fatores, como a premiação, que sempre consumiu muito dinheiro.'' Para ele, a organização do evento deveria ser remodelada. ''Também deveria haver mais divulgação e um juri mais capacitado, afinal, estamos falando de um evento renomado.''
Já para artista plástica e presidente da Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná (Apap), Cristina Cesário, a mudança vai significar um crescimento para o Salão Paranaense e para a arte local. ''Estamos seguindo um padrão que já é adotado há mais tempo em outros salões. Acho muito interessante'', disse Cristina.
O diretor do Museu de Arte Contemporânea (MAC) e organizador do Salão, Jair Mendes, também sustenta o argumento de que é uma tendência artística universal, e que o Salão Parananese deve se adaptar à mesma. Para ele, haverá mais tempo para a organização, seleção e curadoria, dando maior consistência e qualidade ao evento. Segundo Mendes, os artistas participantes também terão mais tempo para desenvolverem suas obras.
''O Salão Paranaense tomou outras características com a arte moderna. O processo é mais trabalhoso, mais demorado, requer mais cuidados e mais tempo. Assim, o evento se tornará mais representativo, ganhará mais valor, mais importância'', defende Mendes.
Outras mudanças também foram anunciadas pela Secretaria da Cultura. O Salão Paranaense será dividido em três categorias de artistas participantes: brasileiros convidados, convidados do Mercosul e artistas com participação espontânea, que farão sua inscrição e participarão de julgamento.
A premiação individual também foi extinta. Na 61º edição do Salão, todos os artistas receberão uma ajuda de custo para a realização de uma obra. Um comitê de notáveis, formado por críticos, curadores e artistas consagrados fará a indicação dos convidados. Outra mudança será a inclusão de seminários, palestras, debates, cursos e atividades diversas com a participação dos artistas expositores, críticos, professores e convidados em geral. Essas atividades devem ser realizadas paralelamente a exposição.


