Curitiba A beleza feminina é retratada não apenas em versos e prosas, mas em telas e exposições variadas nas principais capitais brasileiras. Entretanto, os contornos masculinos nem sempre podem ser retratados com tanta facilidade e aceitação. Prova disso é a exposição ''Olhares do Belo'', que está reunindo seis artistas de Curitiba com temas variados no Sesc Centro, em Curitiba. Entre os expositores, está o artista plástico Alexandre Linhares, que teve seis obras censuradas por expor fotografias com propostas de colagem e montagem digital retrando a nudez masculina.
O artista preparou a exposição especialmente para o Sesc. A obra, que trabalha o tema capitalismo, é composta por três painéis que apresenta imagens de nu masculino desfocadas e representa, segundo o artista, a repressão, os medos do homem, a interação dele com o meio e a ditadura do capitalismo, onde o homem não passa de mais um corpo. ''Quis fazer um trabalho concreto. Resolvi trabalhar o capitalismo até por causa da grande guerra internacional em troca de dinheiro. As pessoas não enxergam nada, a não ser a busca pelo lucro.''
Linhares diz que se sente censurado por fazer arte. A proibição de expor as telas teria ocorrido logo no início, quando ele mostrou o trabalho para os organizadores da exposição. ''Nos tempos de hoje não se admite censura de obras. Meu trabalho foi prejudicado com a falta de seis de minhas obras. Apenas três delas mostravam o nu masculino na forma frontal. Outras três foram barradas sem qualquer tipo de explicação. Acho que foi uma ignorância, uma hipocrisia social'', salienta. O artista diz que em nenhum momento colocou sensualidade nas fotografias expostas. ''É um nu cru, puritano até. Não há qualquer traço de sexualidade''.
Apesar da censura, Linhares não se sente surpreso. ''Quando comecei a fazer meu novo trabalho, sabia que poderia sofrer represálias. Mas quis me arriscar mesmo assim.'' As telas censuradas estão guardadas num local sem acesso dentro do próprio Sesc. O diretor da instituição, Olivo Ceconello, nega que tenha havido censura das obras. ''Tinha um limite por causa da quantidade de artistas. Ele levou várias obras. Escolhemos algumas delas para a exposição. Não se faz censura a obra de um artista. Quando se vai numa livraria, se escolhe o livro que quer comprar. Escolhemos os painéis que queríamos expor'', explicou ele.
Ceconello foi chamado para ver os painéis, mas não quis. ''Não sou expert em arte. Mandei pessoas que conhecem de arte para avaliar os painéis. Temos que lembrar que esse é um ambiente aberto, onde crianças e adultos circulam livremente. Não é uma condenação de obra de artista. É critério de escolha'', insiste. A exposição ''Olhares do Belo'' vai até o dia 31 de maio.

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