POLÊMICA - Carioca é eliminado antes do Big Brother começar
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sábado, 07 de janeiro de 2006
Das agências 
O ''Big Brother Brasil 6'' nem começou e já teve uma eliminação. O carioca Leandro Moraes, de 30 anos, chegou a ter sua foto divulgada como um dos concorrentes da nova edição do reality show da Globo, que estréia na próxima terça-feira, mas, horas depois, foi sacado do programa pela própria rede. Motivo: a relação de Leandro com alguns funcionários do canal, o que teria facilitado sua entrada no programa. Essa é a historinha da Globo para o caso.
O fato é que em outras edições do BBB foi descoberta a proximidade de participantes do reality com produtores e diretores da emissora e nem por isso eles foram eliminados. A Globo alega que Leandro omitiu que conhecia funcionários da rede. Em seu lugar entra o advogado paulista Carlos, de 28 anos. O novo participante estava em uma espécie de ''lista de espera'' dos BBBs, pessoas que passam em quase todas as etapas da seleção para a atração e ficam de sobreaviso.
Com relações na Globo ou não, o caso é que se sabe pouco sobre Leandro. Na internet, o carioca aparece em fotos com uma suástica pintada no braço, conta que é lutador de jiu-jítsu e teve um irmão assassinado.
Os novos participantes dirão pouco além do gritinho irritante, mas o suficiente para cativar mais de 60% dos telespectadores o ibope médio das versões anteriores. Nenhum paranaense está entre os 12 candidatos escolhidos.
Há os que assistirão empolgados e assumidos. E aqueles que darão umas espiadas discretas, com cara de poucos amigos. Mas até quem tem plena consciência de quão vazia é a falsa realidade do ''BBB'' passará a conhecer os participantes, ter seu preferido e, se baixar a guarda, pode se pegar votando no paredão.
O estilista recifense Mario Castro, 40, é um desses. ''Sei que eles dizem pouca coisa que presta, que o programa tem muito pouco a acrescentar e é descartável, mas assisto porque é divertido'', diz. Ele vê todo dia, chega a reprogramar atividades profissionais para não perder os episódios. Mas não é viciado a ponto de comprar o ''pay-per-view'' na TV paga, com 24 horas de BBB.
E por falar em vício, o coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes, da Universidade Federal de SP, o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, faz um paralelo entre o ''reality show'' e as drogas. ''As pessoas têm plena consciência do lixo que estão vendo, do tempo que estão perdendo, e não conseguem largar aquilo. É como as drogas. Sabem que faz mal, que nem sentem mais prazer, mas não abandonam o vício'', compara.
Para o novelista Lauro César Muniz, o segredo da atração é o ritmo folhetinesco fortemente assumido pelas edições brasileiras do ''Big Brother''. ''Os participantes viram personagens, são criados objetivos para eles, há o conflito, tudo típico da ação dramática. Mas obviamente não é um produto com a qualidade que uma novela pode ter. As falas são bobas, do dia-a-dia, não há o trabalho da criação de um autor.''
Muniz acredita que o fenômeno, apesar dessa sobrevida, será passageiro. Para a cúpula da Globo, 2007 poderá ser o último ano, mas tudo depende de quanto sucesso esta sexta edição terá. O Brasil está entre os recordistas da sobrevivência do formato, criado em 1999 pela produtora holandesa Endemol. Na lista dos 33 países que já exibiram o ''BB'', apenas a Espanha supera o número de edições brasileiras, com sete programas. Empatamos com Alemanha, EUA e Inglaterra e superamos Itália, Holanda, Austrália, com cinco, e todos os outros, com quatro ou menos.
Desta vez, o ''BBB'' será transmitido pela Globo Internacional na Europa, com os episódios diários e mais uma montagem exclusiva de 60 minutos por semana. No comando do programa desde a sua estréia, em 2002, o diretor J. B. de Oliveira, o Boninho não vai mexer no time que está ganhando. Em vez de perder força, o ''BBB'' ganhou audiência e repercussão ao longo dos anos. Em 2005, conseguiu escalar um professor universitário gay, Jean Willys, que se transformou em herói e levou o prêmio de R$ 1 milhão. Ele bradou contra a homofobia, citou filósofos, recitou poesias, e com isso, avalia a Globo nos bastidores, o ''BBB'' perdeu em parte o ar de programa trash, ganhou certa cara de ''conteúdo''.
Na nova edição, o papel ''filosófico'' poderá ficar com a psicóloga paraense Thais Cavaleiro, 27. Filha de médico e economista, passou recentemente em concorrido concurso de especialização em São Paulo. Também é candidato ao núcleo ''profundidade'' o professor de matemática paulista Rafael Valente, 26, que, além de gritar u-hu, poderá encher nossos ouvidos com cálculos sobre as probabilidades de ir para o paredão, ganhar uma prova, ser o anjo e vencer o programa.
A personagem gostosona será representada pela gaúcha Juliana Canabarro, 23, que já foi coelhinha da revista ''Playboy''. Suas curvas estarão ainda mais à mostra, já que agora o banheiro foi colocado fora da casa, no meio do jardim. E ela vai usar um microbiquíni numa piscina redonda, construída na reforma da mansão, que ganha também mais um quarto e uma suíte de luxo para o líder, com hidromassagem.
A lista dos escolhidos é a seguinte: Inês (estudante, 21, Rio), Dan (consultor técnico, 25, São Paulo), Juliana (promotora de eventos, 23, Porto Alegre, RS), Daniel (modelo, 25, Passa Quatro, MG), Lea (moto girl, 25, São Paulo), Gustavo (tradutor, 28, Belo Horizonte, MG), Mariana (modelo, 20, Botucatu, SP), Iran (compositor, 29, Rio), Roberta (bailarina, 22, Fortaleza), Thaís (psicóloga, 27, Belém, PA) e Rafael (professor, 26, Santana do Parnaíba, SP) e, agora, Carlos (advogado, 28, São Paulo).
Outros dois concorrentes, como anteriormente, serão definidos em sorteio realizado na estréia e entram na casa na quinta-feira. De resto, é mais do mesmo. Regras iguais, o quadro ''Big Boss'' e, claro, Pedro Bial, o chacrinha-entrevistador-de-presidente.


