O anunciado show do grupo paulista Racionais MC's, que seria realizado no último domingo em Londrina, é mais um que não aconteceu. Previsto para às 16 horas, o evento atraiu uma platéia numerosa em frente à Escola Municipal de Circo, local da apresentação e onde um cartaz informava desde a noite anterior que o programa seria cancelado.
Ao ser comunicado do fato, o público se revoltou. Uma pedra foi atirada quebrando um vidro da Escola. Ontem, alguns responsáveis pelos pontos de venda de ingressos prestaram queixa na 10 subdivisão policial de Londrina alegando que foram vítimas de um estelionatário.
''As pessoas vão querer o dinheiro de volta. Mas não temos culpa nenhuma pelo que ocorreu. Tentamos ajudar o produtor do show em troca da divulgação das lojas, e ele nos deu um golpe sumindo com toda a grana arrecadada'' - diz o rapper Leandro M. da Costa Carvalho, o ''Tiule'', proprietário de uma loja na Galeria Canaã.
Ontem, após fazer o boletim de ocorrência, ele percorria os meios de comunicação ao lado de Adalberto Junior Gonçalves, da loja Londrison, e Jean Carlos de Andrade, da loja Voz Ativa. ''Queremos mostrar para as pessoas que fomos lesados como todos aqueles que compraram ingressos'' - argumentavam.
O produtor do show, Paulo Enrico Vieira - segundo Leandro - estava em Londrina desde novembro vindo de Araraquara (SP). Infiltrou-se na comunidade hip hop ganhando confiança dos músicos do gênero atuantes na cidade. Há um mês, estava hospedado na Casa do Hip Hop, embora a diretoria não tivesse qualquer participação na produção do show. O show, porém, foi cercado de incidentes. A reportagem ligou para o produtor, mas o celular não atendia.
Marcado inicialmente para o dia 13, foi adiado para o último domingo por desentendimentos com a empresa responsável pelo equipamento de som. Uma outra empresa teria sido contratada. Veira era conhecido da empresária dos Racionais, Meire, com quem havia realizado um show anos atrás no interior de São Paulo. Na ocasião, segundo ela, ''tudo correu bem''.
Desta vez, porém, as negociações começaram a se complicar ainda na semana anterior, a da apresentação adiada. ''Costumo receber 50% na assinatura do contrato e os outros 50% dois dias antes do show'' - explicou ela, por telefone, à Folha. ''O cachê combinado era de R$ 20 mil. Ele depositou R$ 3 mil e falou que ia enviar o restante depois, mas não enviou. Falei que assim não iria ter show. Continuei falando isso até a última quinta-feira, quando ele fez o último contato com a gente dizendo que não estava conseguindo o dinheiro''.
Segundo Jean, da loja Voz Ativa, Vieira confidenciou-lhe que havia vendido 900 ingressos para o show. O produtor foi visto pela última vez no sábado, por volta de meio-dia, afirmando que ia montar o palco. Em dezembro, um episódio semelhante indignou dezenas de jovens londrinenses, que também foram vítimas de um vigarista pagando para ''não ver'' um show da banda Cachorro Grande. Em setembro do ano passado, uma tentativa de golpe quase lesou o público com um show inexistente de MC Leozinho e do DJ Marlboro, astros do funk carioca.

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