Curitiba O empresário Antônio João Ribeiro Prestes se reuniu com uma comitiva de advogados, ontem, em Curitiba, para traçar a estratégia de defesa sobre a ação movida pelo Ministério Público Federal e Ministério Público de Santa Catarina contra ele. A ação movida em outubro de 1999 foi divulgada apenas no domingo, no programa Fantástico, exibido pela Rede Globo. Segundo a reportagem, João Prestes, superintendente-geral do Escola do Balé Bolshoi no Brasil e a mulher dele, Jô Braska Negrão, são acusados de enriquecimento ilícito e outras irregularidades na administração do Bolshoi brasileiro.
Filho mais velho do líder comunista Luiz Carlos Prestes, o engenheiro João Prestes foi responsável pela vinda do Bolshoi para Joinville, em Santa Catarina, há quatro anos. A filial brasileira de uma das maiores companhias de dança no mundo transferiu holofotes para a cidade catarinense desde a sua inauguração. Trouxe mais luz até mesmo para o Festival de Dança de Joinville. Embora a participação do Bolshoi no evento tenha sido resumida nos últimos anos, a escola, uma instituição beneficente e sem fins lucrativos, tem o mérito de oferecer cursos de dança a mais de 200 crianças, a maioria carentes, escolhidas em auditoria que acontece anualmente.
Os alunos têm aulas numa escola construída especialmente para abrigar a filial brasileira do balé russo, num espaço cedido pela prefeitura de Joinville. Mas agora, toda essa estrutura está sendo alvo de investigação.
Segundo a ação movida pelo Ministério Público, em outubro de 1999, a prefeitura de Joinville fechou um protocolo de intenções e um contrato para a instalação de uma filial do Bolshoi no Brasil, representado pela empresa de João Prestes, a Paramount Advisory Services, com sede na Irlanda. Mas de acordo com o procurador da República Davyd Lincoln Rocha a empresa Paramount foi dissolvida há três anos, embora a Paramount continue a assinar documentos atestando o recebimento de verbas polpudas.
Em entrevista ao Fantástico, Prestes defendeu-se dizendo que a Paramount continua existindo, mas mudou de endereço. Estaria instalada agora nas Ilhas Seychelles, no Oceano Índico. O empresário argumentou ainda que recebe dinheiro do Bolshoi referente à comissão para intermediar os projetos.
Na entrevista ao programa, Prestes se mostrou temeroso de que a ação posssa resultar no fechamento da escola. A Folha entrou em contato com o procurador da República responsável pelo caso, David Lyncon, mas ele não quis falar sobre o assunto. A Escola do Balé Bolshoi, em Joinville, também não divulgou nenhuma nota oficial sobre o caso e até o fechamento dessa edição, João Prestes também não havia atendido a reportagem.

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