Mais um curta-metragem inédito para o público paranaense será apresentado hoje, no projeto Sessão Brasil, a partir das 21h30, no Cine Catuaí I, em Londrina. ‘‘Polaco da nhanha’’, dirigido, produzido e roteirizado por Elói Pires Ferreira foi finalizado ontem em São Paulo, e a pedido de Caio Julio Cesaro – produtor do Sessão Brasil – terá seu primeiro contato com o público nesta noite. O produtor musical do curta, J. Olympio, encara esta primeira exibição não como um lançamento comercial: ‘‘Será um teste, para sabermos como funciona com o público’’. O filme deve ser o último a ser exibido, logo após os curtas ‘‘Outros’’, ‘‘Almas em Chamas’’, ‘‘Amassa que Elas Gostam’’ e ‘‘Aldeia’’.
Eloí é bem conhecido no meio cinematográfico paranaense. Atual presidente da Associação de Cinema e Vídeo do Paraná (AVEC), ele iniciou seus contatos com o universo da sétima arte em 1976, quando ainda era estudante de jornalismo na PUC-PR. O trabalho como pesquisador da Cinemateca da Fundação Cultural de Curitiba o levou oito anos depois à realização de sua primeira obra em audiovisual: o documentário ‘‘Paraguay’’. Neste 17 anos, alternou entre documentários e ficção: ‘‘Rua Brasil’’ (1986), ‘‘Uni-duni-tê, Eu Vou Ser o Quê?’’ (1991), ‘‘Em Off’’ (1992) e ‘‘Mulheres do Reino’’ (1995). Em película 35 mm, dirigiu três curtas: ‘‘Vamos Junto Comer Defunto?’’ (1990), ‘‘Valdir e Rute’’ (1997) e este que estréia, ‘‘Polaco da Nhanha’’ (2001).
A trama de ‘‘Polaco...’’ se desenvolve na Curitiba dos anos 60, uma cidade ainda com ares provincianos. Os protagonistas pertencem a uma família de imigrantes poloneses, colônia comum em muitas cidades paranaenses. O título se refere aos polacos que preservavam um sotaque empolado, o que motivava as brincadeiras com o jeito de falar, naquela época.
O filme busca uma identidade entre a Curitiba de hoje e aquela de 1962, onde se podia encontrar amigos na praça e jogar conversa fora com a maior facilidade. Em uma noite fria, a família de imigrantes poloneses se prepara para ir à apresentação de um grupo de dança folclórica. Na casa da família, permanecem apenas o vovô e Serginho, caçula de 11 anos. Em frente à TV, o menino revisita suas origens através dos relatos do avô. A conversa com o patriarca da família permite ao garoto acessar um universo desconhecido, descobrindo identificações e particularidades com um passado nunca dantes imaginado.
Rodado em Curitiba, São Luiz do Purunã (Balsa Nova) e Piên, ‘‘Polaco da Nhanha’’ captou recursos por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba. O elenco é composto por Luthero Almeida, Édson Rocha, Stela Reinehr, Alan Raffo, Cynthia Becker, Rosana Pesch, Marcelo Munhoz, Rodrigo Ferrarini, Marcelo Lipiec e Renan Macioski (os dois últimos estreando em película). A direção de fotografia e Câmera ficaram a cargo de Celso Kava Filho (também fotógrafo de ‘‘Aldeia’’, a outra produção paranaense da noite), enquanto a produção de elenco coube a Paulo Friebe (que co-dirigiu o último filme de Geraldo Piolli, ‘‘Bento Cego’’). Os ingressos para a Sessão Brasil são gratuitos, e devem ser retirados na Secretaria Municipal de Cultura (ao lado da Concha Acústica), em Londrina.

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